O deputado federal e delegado Edson Moreira (PR) foi mais uma vítima dos crimes cibernéticos. No golpe, a agenda de contatos da rede social WhatsApp foi clonada e os bandidos entraram em contato com algumas pessoas pedindo dinheiro e outros favores. O prejuízo de um desses contatos do deputado é de R$ 5.000.

Segundo Edson Moreira, sua irmã e sua sobrinha, que moram em São Paulo, receberam mensagens no celular, em nome do delegado, solicitando depósito em dinheiro em uma conta do Banco do Brasil. Elas não realizaram a transação por suspeitarem do pedido. Após entrarem em contato com Edson, confirmaram que realmente não era ele que havia solicitado a transferência.

No crime, os bandidos conseguem clonar o número do WhatsApp da vítima, tendo acesso a toda a sua agenda de contatos, além de bloquear o aplicativo no celular da pessoa. Então, os criminosos conseguem mandar mensagens para esses contatos, como se fosse realmente a pessoa que as estivesse enviando.

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Um dos contatos do delegado caiu no golpe. O vereador de Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte, Vinícius Sipaúba (PR), fez dois depósitos no valor total de R$ 5 mil na conta dos criminosos nessa terça-feira (16). As transferências foram feitas pela esposa do parlamentar em contas do banco Itaú.

Em contato com a reportagem, Sipaúba contou que realizou as transferências por conta da amizade que possui com o deputado. “Recebi uma mensagem no grupo de WhatsApp do deputado Edson Moreira e, no texto, ele perguntava se alguém tinha disponibilidade para fazer uma transferência no valor de R$ 2.000. Ele alegava que, no dia, havia feito uma transferência de R$ 10 mil e o limite excedido. Eu, por ter sido assessor e amigo pessoal, me prontifiquei na hora para ajudar”, conta o vereador.

A conta indicada pelo golpista tinha nome de “João Batista”. A reportagem verificou que ela foi registrada em São Luís (MA). Logo após ter transferido os R$ 2.000, o golpista voltou a fazer contato, desta vez pedindo um novo depósito de R$ 3.000.

Novamente “ajudando” o deputado, o vereador só foi suspeitar da ação depois de receber o pedido de uma terceira transferência, na qual o golpista prometia que, no dia seguinte, Moreira iria retornar R$ 8.500. “Aquilo não parecia o deputado, nossa relação é ótima e eu nunca cobraria uma quantia de volta”, conta. Sipaúba, então, tentou entrar em contato através de ligações com Edson Moreira, mas as chamadas eram recusadas.

“Em seguida, ele mandava mensagens dizendo estar em uma reunião, e que me retornaria de noite”, conta Sipaúba. Percebendo a inconsistência da situação, o vereador, então, entrou em contato com o gabinete do deputado em Brasília e descobriu se tratar de um golpe.

Reação. Na manhã dessa quarta-feira (17), Edson Moreira fez Boletim de Ocorrência (BO) na Polícia Civil, e, além disso, entrou em contato com o Facebook, que administra o WhatsApp, para verificar a possibilidade de identificar os autores. Segundo o deputado, a rede social diz ser impossível fazer qualquer tipo de rastreamento. “Para o criminoso nada é impossível”, diz ele indignado.

A reportagem tentou entrar em contato com a assessoria de imprensa do Facebook, mas não obteve êxito. Através do BO, o parlamentar ainda solicita que o caso seja encaminhado à Polícia Federal. Ele ainda afirma que vai procurar a Secretaria Geral da Câmara dos Deputados, devido os recentes casos ocorridos com colegas parlamentares.

Contato. A reportagem tentou contato com o deputado federal Adelmo Leão (PT-MG), que também teve o celular clonado, mas, até o fechamento desta edição, as chamadas não foram atendidas.

Golpe atingiu ainda outros deputados

Nesta semana, dois deputados petistas também tiveram o WhatsApp clonado. Trata-se de Paulo Teixeira (PT-SP) e Adelmo Leão (PT-MG). A abordagem dos criminosos foi a mesma: uma pessoa, em nome do deputado, pede a algum contato para que transfira uma certa quantia de dinheiro em uma conta bancária, ou que pague um boleto.

Em abril do ano passado, outros deputados como Marcus Pestana (PSDB-MG) e José Carlos Araújo (PR-BA) também tiveram seus aparelhos celulares clonados.

Veja alguns trechos da conversa entre o vereador que depositou o dinheiro e o bandido:

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Fonte: O TEMPO


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