Na corrida pela prevenção contra a febre amarela, idosos estão tendo dificuldades para receber a vacina em alguns postos de saúde de Belo Horizonte. Apesar da orientação do Ministério da Saúde (MS) de que qualquer profissional da área pode realizar a avaliação necessária para a imunização de pessoas acima de 60 anos, a dose está sendo negada em alguns casos com a exigência de autorização de um médico. Minas tem 15 mortes confirmadas pela doença, conforme boletim divulgado na quarta-feira (17) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Idosos que nunca se vacinaram e que vivem em áreas de risco ou vão viajar para essas regiões devem ser avaliados por um serviço de saúde antes, para verificar se podem ou não receber uma dose. O profissional deve fazer uma espécie de triagem para analisar se os pacientes apresentam contraindicações, como a realização de tratamento com drogas imunossupressoras e alergia grave a ovo. Nesses casos, a vacina não é recomendada.

“Os idosos têm queda de defesas. A vacina para febre amarela tem um vírus vivo atenuado que, embora enfraquecido, pode provocar uma reação pós-vacinal”, afirmou o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, José Elias Pinheiro. “O indivíduo pode ficar prostrado, ter uma febre e descompensação de suas doenças, mas o risco maior é o de desenvolver a febre amarela. É raro, mas é possível”, explicou.

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Controvérsia. A avaliação do idoso pode ser feita no próprio posto de saúde, no momento em que ele procura o local para se vacinar, por profissionais como enfermeiros e técnicos, segundo o Ministério da Saúde. A Secretaria Municipal de Saúde da capital garantiu que repassou essa orientação para toda a rede.

Ainda assim, o mestre de obras Tércio Gonçalves da Silva, 75, voltou para casa sem a vacina na quarta-feira, após buscar a imunização em um posto na região do Barreiro. “Eles não aplicam a vacina em pessoas de mais de 60 anos, só com avaliação médica. Estou com medo, é assustador”, disse.

Para a médica Mônica Levi, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Imunizações, apenas médicos, com conhecimento das doenças e dos medicamentos, deveriam fazer a avaliação. Ela ressalta que idosos que não tiverem autorização para se vacinar devem tomar outros cuidados. “Eles podem usar repelente, roupa de manga longa e telinha em casa, para ter um pouco mais de segurança”, alertou.

 

Minas Gerais tem 22 casos confirmados

Minas Gerais tem 22 casos confirmados de febre amarela, sendo que 15 pessoas morreram por causa da doença. Outros 46 casos da enfermidade continuam em investigação no Estado, sendo quatro deles em Belo Horizonte, segundo boletim atualizado na quarta-feira pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Do total de casos confirmados, 21 são de homens contaminados. As vítimas têm entre 31 e 69 anos e não possuem relato de vacinação. Nova Lima, na região metropolitana da capital, tem o maior número de casos – são cinco óbitos registrados.

O município de Caeté, na região metropolitana, entrou para a lista das dez cidades mineiras com mortes provocadas pela doença. A prefeitura informou que a Policlínica da cidade será aberta no sábado, entre 8h e 16h, exclusivamente para vacinar os moradores.

Rio Acima, na mesma região, também confirmou uma morte. O horário de vacinação foi estendido até as 20h, no anexo da Casa de Saúde Pedro Giannetti, até sexta-feira (19). Até o momento, 30 cidades mineiras tiveram mortes de macacos confirmadas por febre amarela.

 

Flávio Henrique é diagnosticado com a doença

A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) de Belo Horizonte confirmou na quarta-feira que o músico e presidente da Empresa Mineira de Comunicação (EMC), que abrange a rádio Inconfidência e a Rede Minas, Flávio Henrique, está com febre amarela. Por nota, a pasta informou que ele contraiu a doença em outro município da região metropolitana, que não teve o nome divulgado.

Segundo a SMSA, o paciente não tinha se vacinado. Até o fechamento desta edição, Flávio Henrique permanecia internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Mater Dei, em BH. Amigos dele fazem campanha para doação de sangue. (Da redação)

Saiba mais

Nova Lima. Por causa da febre amarela, o Parque Natural Municipal Rego dos Carrapatos foi fechado, assim como as serras da Calçada e do Souza, o morro do Elefante e a mata do Jambreiro.

Barra Longa. A cidade havia informado duas mortes pela doença, mas o prefeito Elísio Pereira (PMDB) corrigiu o dado na quarta-feira, informando que o município tem um óbito.

Viçosa. Registrou na quarta-feira a primeira morte suspeita da doença. É um homem que estava internado no Hospital Eduardo de Menezes, em BH.


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