Que tiro foi esse? Essa é a pergunta que pelo menos cinco jovens de Belo Horizonte se fazem há alguns dias. Elas foram atingidas por tiros de armas não-letais enquanto andavam por ruas da região da rua da Bahia com Tupinambás, no centro da capital. Elas não têm certeza de onde partiram os disparos, mas a violência deixou marcas pelos corpos e muita dor.

Ninguém foi preso pelos delitos e há dúvidas se os tiros são de chumbinho ou outro tipo de material. Procuradas nesta quinta (18), as Polícias Militar e Civil e a Guarda Municipal informaram que até na quinta-feira não havia sido registrado boletim de ocorrência sobre os casos.

Há registros ainda de vítimas em outras regiões como: Carlos Prates, na região Noroeste, e na Savassi, na Centro-Sul.

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Na última terça-feira à noite, Poliana Gonçalves Mendes de Oliveira, de 20 anos, saiu da lanchonete onde trabalha na rua da Bahia e, enquanto seguia para outra loja, que fica na rua Tupinambás, foi surpreendida. “Veio do prédio ao lado, não vi a pessoa. É uma bolinha branca”, contou ela na quinta-feira ao Super Notícia.

O disparo atingiu o braço da jovem: “A rua estava vazia na hora. Parece que miraram em mim. É um absurdo dar um tiro assim, não fiz nada com a pessoa”.

No mesmo dia, a atendente Talia Pereira, de 20 anos, que é colega de Poliana, também foi atingida pelo disparo misterioso. “Eu estava descendo a rua da Bahia, era por volta de 21h50. Não deu para ver o que era. Eu percebi que havia sido acertada de imediato. Acho que veio de cima, pegou bem nas minhas costas”, contou. Um amigo de Talia também levou o tal tiro, mas o capacete o protegeu.

Na mesma região e também na terça-feira, a proprietária da marca de modas Na Lata, Camila Lanna, de 29 anos, também foi vítima. Ela fez um relato pelo Facebook e postou fotos. Depois disso outras vítimas começaram a relatar que tinham passado pela mesma situação. Poliana e Talia confirmaram que um taxista e alguns clientes das lojas em que trabalham também já foram alvos.

Camila, outra vítima, foi atingida em dois pontos da perna e ficou com ferimentos. Ela preferiu não ir a um hospital. A pele, contou ela, ficou ardendo e inchada. Poliana e Talia confirmaram que um taxista e clientes das lojas em que trabalham também já passaram pela mesma situação.

“Eu estava subindo a rua da Bahia cheia de sacolas com comida e de short por causa do calor. No quarteirão do edifício Satélite eu senti uma coisa na minha perna e não vi nada. Depois eu senti uma dor, parei e ainda percebi que veio mais, mas não me acertaram. Atingiram minha sacola”, relatou.

A jovem estava com fones de ouvido e não ouviu os disparos. Mesmo atingida ela continuou andando e quando chegou em seu trabalho viu que estava machucada. “Eu não vi necessidade de ir ao hospital e já está cicatrizando. Essa noite eu senti muita dor para dormir, porque um dos tiros atingiu atrás do meu joelho”, afirmou.

Queixa

A Guarda Municipal e a Polícia Militar (PM) aconselham que as vítimas procurem as corporações para registrar os casos. Assim a Polícia Civil pode investigar a autoria.

Sem registro

A Guarda Municipal informou, por meio de nota, que não atendeu ocorrências relacionadas a tiros não letais em Belo Horizonte.

Desconhecimento

A reportagem foi à 4ª CIA da PM, que fica na área onde ocorreram os disparos, mas nenhum dos militares disse ter conhecimento dos delitos.

“De repente começamos a sentir alguma coisa ardendo. Achamos na rua bolinhas brancas. Nossos corpos ficaram marcados de vermelho.”

VÍTIMA,

QUE PEDIU O ANONIMATO

“Há uma semana fui atingida na rua Curitiba. Foram dois ‘tiros’ nas pernas, eu estava esperando o ônibus para voltar para casa.”

POLIANA GONÇALVES MENDES DE OLIVEIRA,

ATENDENTE DE LANCHONETE


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