Assim como era o desejo da família do produtor e compositor Flávio Henrique Alves de Oliveira, de 49 anos, que faleceu nesta quinta-feira (18) em decorrência da febre amarela, sua despedida se transformou em uma celebração da arte e da música. Ele foi enterrado na manhã desta sexta-feira (19) sob grande comoção e ao som de uma de suas mais de 180 músicas, no Cemitério Parque da Colina. 

Flávio foi a segunda vítima da doença na capital mineira neste ano. Até 10h, os familiares ainda davam o último adeus ao músico e o cortejo contou com o percussionista Maurício Tizumba, um dos vários parceiros musicais dele, tocando a canção “Casa Aberta”, que foi composta pelo músico ao lado de Chico Amaral.

Confira um vídeo feito pela repórter Mariana Nogueira deste momento emocionante: 

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No velório, que aconteceu desde a tarde de quinta, diversas figuras do meio musical se manifestaram sobre a grande perda para a cultura. O músico e compositor Chico Amaral não poupou elogios ao amigo, e disse que o músico estava em uma boa fase na carreira profissional. Chico Amaral contou que a parceria entre eles nasceu depois de Flávio procurá-lo. “Mudei muito a minha forma de compor depois de vê-lo compor. Ele tinha essa alegria de compor, de chamar a pessoa, fazer um projeto com fulano, ciclano. Estava em um belíssimo momento”, relembrou.

Outra característica marcante do músico era a capacidade de transitar entre diversas gerações, segundo o músico Célio Balona. “O Flávio sempre esteve 50 quilômetros na frente. Ele lidava maravilhosamente com todos da minha geração”, destacou.

Flávio Henrique estava internado no hospital Mater Dei desde o dia 11 de janeiro. A suspeita de amigos é que Flávio Henrique tenha contraído a doença em Casa Branca, distrito de Brumadinho, na região metropolitana, onde havia adquirido uma casa recentemente, próximo a uma mata. “Ele assumiu mesmo que não se vacinou e alertou a todos nós”, disse o amigo de Flávio, o cantor e compositor Pedro Morais.

 

Artistas mobilizam campanha

Após a morte do cantor e compositor Flávio Henrique Alves de Oliveira, o meio artístico pretende se mobilizar em uma campanha de incentivo à vacinação contra a febre amarela. “Muito triste perder uma pessoa tão nova por causa de uma picada de mosquito. Vários artistas, como Tizumba, Titane e Marina Machado, estão se mobilizando para fazer disso um alerta para a população. Acho que os artistas têm um papel importante nisso”, disse o músico Vitor Santana.

Colega de banda e amigo de Flávio Henrique, o músico Pedro Morais ressaltou a importância de todos se vacinarem. “Isso pode acontecer com qualquer um de nós”, lembrou.

Em Belo Horizonte, a cobertura vacinal contra a febre amarela é de 86% – a meta da prefeitura é vacinar 95% dos moradores da cidade. Em Minas, a cobertura vacinal é ainda menor, de 82%. A estimativa é que 3,5 milhões de pessoas ainda não se imunizaram no Estado.


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