Após anos de muitos debates técnicos, um grupo de trabalho criado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está analisando mudanças nos rótulos de produtos alimentícios. O modelo atual, considerado por especialistas confuso e pouco informativo, deverá ser substituído para permitir que o consumidor saiba, de fato, o que está levando para casa.

Na tentativa de colaborar com o processo, diversas entidades, ligadas à indústria, à pesquisa, à defesa do consumidor e à saúde, enviaram sugestões sobre qual seria a melhor forma de alertar a população sobre produtos que apresentem, entre outros, níveis elevados de açúcar, gordura e sal. Entre as propostas apresentadas, duas monopolizam os debates: a que propõe o modelo de advertência frontal, em forma de triângulos negros, e a que sugere o alerta de semáforo colorido.

Apresentado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o modelo dos triângulos prevê um selo de advertência, na parte da frente da embalagem de alimentos processados e ultraprocessados (como sopas instantâneas, refrigerantes, biscoitos etc), que indica quando há excesso de açúcar, sódio, gorduras totais e saturadas, além da presença de adoçante e gordura trans em qualquer quantidade.
“Nós nos inspiramos no modelo do Chile, que usa um símbolo no formato de octógono preto. O grande objetivo é chamar a atenção, não é trazer mais informações que as pessoas não vão conseguir entender ou visualizar”, afirma a nutricionista do Idec, Ana Paula Bortoletto.
Ela ressalta ainda que o triângulo já é conhecido como advertência, devido a rotulagem de transgênicos.

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Semáforo. Já a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), que forma com outras entidades a Rede de Rotulagem, sugere o modelo usado no Reino Unido e no Equador, que usa as cores verde, amarelo e vermelho para alertar sobre quantidades de açúcares totais, gorduras totais e sódio dos produtos. E cada componente é mostrado em quantidades por porção e em percentagem em relação a uma dieta de 2.000 calorias diárias.

“A proposta é baseada em duas premissas principais: oferecer informações mais completas e empoderar o consumidor. Acreditamos que o modelo com cores é o que melhor informa sobre os nutrientes contidos nos produtos. Confiamos na capacidade das pessoas em fazer suas escolhas alimentares, quando bem informadas”, explica o presidente da Abia, Edmund Klotz.

Consumidor aponta maiores problemas

A julgar pela opinião dos consumidores, a mudança é necessária. Apesar de geralmente saber o que está levando para casa, a contabilista Tarina Felix, 31, defende as mudanças, principalmente na tabela nutricional. “É preciso fazer um cálculo para saber a quantidade total de cada componente num litro de suco, por exemplo. Qualquer alteração que facilite a identificação de um produto mais saudável será bem vinda”, completa.

Quem também defende mudanças é o supervisor de logística Gabriel de Alcântara, 27, e a chef de cozinha Luana Coimbra, 28. Devido à sua formação profissional, Luana compreende todas as informações, ao contrário de Gabriel. “Eles informam a dosagem de cada componente, mas a gente fica sem referência”, conta o supervisor. “O rótulo deveria ser mais claro. É tudo muito técnico”, acrescenta Luana.

Fonte: O TEMPO


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