Representantes de mais de 20 países defenderam na terça-feira (23) sanções contra o uso de armas químicas na Síria, em um encontro em Paris no qual o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, acusou a “responsabilidade” da Rússia nesses ataques.

“Ontem (segunda-feira), novamente, mais de 20 civis, a maioria crianças, foram vítimas de um ataque supostamente com cloro”, disse Tillerson, referindo-se a novas acusações contra o regime sírio por um suposto ataque químico em uma cidade de Guta Oriental, um enclave rebelde a leste de Damasco, no qual se registraram pelo menos 21 casos de asfixia.

“Seja quem for o autor desses ataques, a Rússia é em última instância responsável”, disse o chefe da diplomacia americana durante esta conferência na qual foi lançada essa nova iniciativa internacional em resposta ao recente veto russo na ONU sobre o tema.

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“Simplesmente não se pode negar que a Rússia, ao proteger seu aliado sírio, descumpriu seus compromissos com os Estados Unidos como garantidora do marco” que supervisiona a destruição das reservas de armas químicas da Síria, segundo o acordado em setembro de 2013, acrescentou.

Após a entrevista coletiva, foi realizada uma reunião a portas fechadas sobre a Síria entre os ministros das Relações Exteriores de Estados Unidos, França, Reino Unido e dos países da região, Jordânia e Arábia Saudita.

A reunião teve por objetivo “devolver o processo (de paz) de Genebra e das Nações Unidas ao tabuleiro do jogo” antes do Congresso inter-sírio organizado pela Rússia no dia 30 de janeiro em Sochi, informaram fontes próximas ao ministro francês Jean-Yves Le Drian, co-anfitrião do encontro junto com Tillerson.

Na reunião de terça-feira, 24 países se comprometeram a compartilhar informações e a estabelecer uma lista de pessoas envolvidas no uso de armas químicas na Síria, onde a guerra deixou mais de 340 mil mortos.

Essa iniciativa acontece depois de um duplo veto russo ao projeto de resolução para renovar o mandato dos especialistas que investigam o uso de armas químicas na Síria. “Cloro, sarin, gás mostarda, VX, esses nomes da morte voltaram ao cenário internacional e com eles as terríveis imagens das vítimas dessas armas de terror”, declarou Le Drian.

“A situação atual não pode continuar”, sentenciou. A França anunciou antes da reunião que congelou os ativos de 25 empresas e executivos sírios, franceses, libaneses e chineses acusados de ajudar o regime sírio a desenvolver o uso de armas químicas.

Trata-se principalmente de importadores e distribuidores de metais, eletrônicos e sistemas de iluminação domiciliados em Beirute, Damasco ou Paris. No entanto, a lista não inclui autoridades do regime sírio.

Curdos pedem que população se arme contra ofensiva turca

Hassa, Turquia. Os curdos da Síria convocaram na terça-feira a população civil a pegar em armas para defender o enclave de Afrin, no norte do país, no quarto dia de ofensiva da Turquia que já deixou mais de 60 mortos.

Ancara continua a bombardear uma milícia curda na região, enquanto Washington advertiu que os combates poderiam desestabilizar uma área relativamente intocada pelo conflito sírio. Violentos confrontos eram travados na região de Afrin, fortaleza das Unidades de Proteção do Povo (YPG), uma milícia curda odiada por Ancara, mas apoiada por Washington, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

As autoridades locais curdas informaram sobre um decreto de mobilização geral e convidaram “todos os filgos de nosso povo para defender Afrin”.

Fonte: O TEMPO


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