Um grupo de feirantes da Feira do Eldorado, em Contagem, na região metropolitana, fez uma manifestação na porta da prefeitura da cidade na manhã desta sexta-feira (26), pedindo que a feira volte a funcionar aos domingos e que  feirantes não precisem passar por processo licitatório.

Desde o dia 20 deste mês, a feira foi transferida para a avenida João César de Oliveira e só funciona aos sábados. No ano passado, cerca de 1.200 feirantes foram retirados do local e, a partir do dia 19 de fevereiro, processo de licitação vai verificar quem pode ou não continuar.


Segundo o administrador da regional Eldorado, Wellington Silveira, a prefeitura não descarta voltar com a feira aos domingos. A medida, segundo ele, foi tomada principalmente para ajudar feirantes que expõem em outro lugar. “A João César é a principal via de tráfego da cidade. A partir dos estudos de êxito dessa transferência, podemos avaliar mais adiante a possibilidade de retornar aos domingos. Escolhemos o sábado porque grande parte dos expositores da feira são também expositores da feira na Afonso Pena no domingo”, afirmou.

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Ainda segundo Silveira, questão econômica também pesou na decisão. “Cada feirante paga um tributo de R$ 34 por ano. O custo de uma feira para o município diariamente é pouco mais de R$ 50 mil. Aluguel das tendas, banheiro público, segurança contra incêndio, deslocamento de agentes de trânsito, guarda municipal, lavagem das vias, tudo isso conta. Nós não vamos dar o segundo passo sem antes dar o primeiro”, afirmou.


A presidente da Associação dos Feirantes de Contagem (Asfe), Cleusimar Tristão Damas Mendes, 51, que há 20 anos trabalha na Feira do Eldorado, afirma que mudanças têm gerado medo nos feirantes. “A feira de domingo é um complemento das nossas vendas de sábado e estamos sem ela. Não é justo que um feirante que tem 35 anos trabalhando na feira tenha que passar por um processo licitatório. Como consequência, perde a sua licença. O que os feirantes vão fazer? Vai para o sinal vender bala, pedir esmola? É isso o que vai acontecer com a maioria dos feirantes. Tudo o que nós queremos é o direito de trabalhar”, afirmou.


Em relação a licitação, Wellington Silveira ponderou que muitos dos feirantes que atuavam na feira não vendiam produtos artesanais, comercializando itens industriais. Com licitação, feirantes serão obrigados a passar por uma avaliação. “Nas administrações passadas, começaram trocando votos e colocaram pessoas na feira sem o menor critério. No começo de 2016, organizamos a feira. Não podemos fugir de arte e artesanato. Grande parte dos produtores compram em São Paulo e vendem industrializados, fugindo a logística. É uma feira de artesanato. Não é espaço para sacoleiros. Queremos devolver a feira as suas características originais”, explicou.


Segundo o administrador, o processo de licitação vai analisar a documentação e os feirantes terão que provar que são artesãos. Feirantes que já possuem credencial, contudo, saem na frente na competição ganhando um ponto por ano de serviço até o limite de cinco anos. O edital da licitação foi publicado no dia 19 de dezembro. As inscrições têm início no dia 19 de fevereiro e vão até o dia 19 de março. Qualquer artesão, seja de Contagem ou não, pode se candidatar. Previsão é que resultado saia no dia 24 de abril.


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