Desde o fim do ano passado, todos os dias, quando chega para trabalhar pela manhã, o gerente administrativo do Jockey Club de Sorocaba, em São Paulo, Alexandre Benedito Dias, 45, tem encontrado baratas e insetos mortos no chão do escritório. O período coincide com a pintura das paredes e do teto do ambiente com uma tinta inseticida, considerada novidade no combate de insetos, inclusive do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue e da febre amarela. “Percebi que ela é realmente eficaz no combate de insetos”, diz.

A tinta – que já é comercializada na Europa – é conhecida como Artilin 3A Mate no Brasil. “Em todos os testes feitos com a exposição dos insetos à área pintada, eles apareceram mortos 24 horas após a pintura”, alega Marcelo Brisolla, diretor executivo de operações da Brasil Global – representante exclusiva da tinta Artilin 3A Mate no Brasil. Segundo ele, estão sendo feito testes com empresas de controles de pragas em São Paulo, Brasília, Bahia e Espírito Santo.

Análise da Anvisa. Tintas não são produtos saneantes e não são passíveis de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No entanto, quando o fabricante quer alegar ação antimicrobiana ou inseticida/repelente, o produto deve ter composição e rotulagem avaliadas pela agência – o que foi feito com a tinta 3A Mate.

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Segundo a Anvisa, a formulação do produto foi considerada segura e eficaz, tendo sido aprovados os dados toxicológicos, da avaliação de risco à saúde humana e da rotulagem.

Segurança para a saúde. Diante dos casos de febre amarela em Minas Gerais, a tinta pode parecer uma solução para o controle de insetos em casas, empresas, hospitais e escolas.

No entanto, o diretor da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), Carlos Starling, diz desconhecer estudos científicos que mostrem a eficácia dela como prevenção de epidemias. “Esse tipo de produto tem que passar por análises e estudos científicos independentes, e não se basear em dados do produtor”, analisa. Starling alerta que não existe “solução única” para o combate ao Aedes. “Não acredito que existam estudos que mostrem que o uso da tinta tenha qualquer impacto em epidemias”, afirma.

Aplicação. A tinta deve ser aplicada por empresas de controle de pragas, como última demão, em paredes prontas. O preço sugerido do produto e da mão de obra é de R$ 3.999.

Faturamento. Há expectativas de que, em cinco anos, o faturamento fique entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões.

Concentração de veneno não afeta pessoas

O diretor executivo de operações da Brasil Global – a representante exclusiva da tinta Artilin 3A Mate no Brasil – , Marcelo Brisolla, conta que o produto foi desenvolvido há quatro anos com o princípio ativo do inseticida deltametrina.

“A grande sacada foi conseguir fazer uma fórmula em que a substância foi encapsulada em uma concentração de 0,75%, o que para os insetos é alta e tóxica, mas para a gente não é prejudicial”, explica o diretor executivo.

Fonte: O TEMPO


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