Um dia depois de pelo menos oito presos de alta periculosidade terem fugido da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, um vídeo em que presos denunciam a suposta opressão humanitária praticada pelas autoridades carcerárias vem circulando nas redes sociais. No vídeo, dois presos, encapuzados, reclamam sobre falta de água, sujeira nas celas, violência dos agentes e ainda fazem ameaças. Já em outro vídeo, que também viralizou nas web, é possível ver o momento em que eles colocam fogo em cobertores dentro de uma das celas.

“Estamos aqui na penitenciária Nelson Hungria, e está rolando opressão no sistema. Estão deixando a gente sem água. O ‘boi’ cheio de necessidades. Os vigias estão oprimindo a cadeia, oprimindo as visitas, oprimindo tudo. Hoje tinha criança no pátio, chorando, querendo água para beber, porque eles não liberaram a água para nós. Se não melhorar as condições para nós pagarmos no sistema, nós vamos acabar com a cidade. Vamos colocar fogo em canavial, fogo em ônibus, o ‘bagulho’ vai ficar é doido mesmo. Eles não estão dando dignidade para nós pagarmos. Nós não estamos pedindo nada não. Estamos pedindo só água mesmo, para nós podermos lavar as celas, dar baixa nas necessidades. O barraco está uma catinga, lotado, e o Cavalieri (diretor da penitenciária) não ajuda a gente aqui. Os agentes só querem bater e oprimir”, disse no vídeo, um dos presos encapuzados.

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Em sua rede social, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB Minas, Willian Santos, falou sobre a situação na penitenciária, em resposta as reclamações dos detentos. “Fizemos nossa parte e com a ação do Ministério Público, evitaremos violências desnecessárias”, declarou. Já para os familiares dos presos, a comissão declarou que conversou com o procurador Rômulo Ferraz e que ele já teria tomado as providências. “Peço que comuniquem, de alguma forma, que não há necessidade de violência. Não haverá razão da rebelião, a água será restabelecida e até com caminhões-pipa. Não precisa e não haverá derramamento de sangue e não pode a sociedade pagar com a queima de ônibus”, declarou.

Fuga dos presos

De acordo com o vice-presidente da Associação Mineira dos Agentes e Servidores Prisionais (AMASP), Luiz Gelada, a fuga dos presos acontece no horário de visitas, na parte da manhã, quando as visitas aos detentos já estavam no pátio e os eles não apareceram.

Os agentes foram verificar qual era o problema e descobriram um buraco na parede. As visitas foram suspensas e o grupo de intervenção rápida do Sistema Prisional foi acionado para ajudar na vistoria das celas e na procura dos presos.

Segundo ele, as fugas estariam acontecendo há dois dias, pelo buraco que fica no Anexo 3, próximo à muralha. “Todos os presos terão que ser levados para o pátio para ser feita a contagem, mas não há efetivo de agentes suficientes para isso”, afirmou Gelada.

A Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap), confirma que a fuga foi descoberta por volta das 10h, por agentes de segurança penitenciários. “O Secretário de estado de administração prisional, Francisco Kupidlowski, determinou uma apuração rígida relativa as circunstâncias do fato.

Uma equipe da Seap está no local realizando nova contagem dos presos e apurando mais informações sobre a fuga”, informou a SEAP, por meio de nota. “Um procedimento interno será instaurado para apurar as circunstâncias e responsabilidades pelo ocorrido. As investigações criminais ficam a cargo da Polícia Civil”, completa a nota.


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