“Meu coração está a mil. Não vou mentir. Eu choro, mesmo sabendo que é para o bem dela e que ela está muito feliz e animada.” O relato é de Blenda Peixoto, 36, mãe da pequena Lara, de 2 anos e 4 meses, mas poderia ser de praticamente todas as mães que têm filhos prestes a estrearem na escola. A cada ano, quando fevereiro chega, muitas famílias vivem essa mistura de ansiedade, preocupação e alegria ao levarem os pequenos para o ambiente escolas pela primeira vez. Para esses, os últimos dias antes do início das aulas podem funcionar como um treinamento para que a mudança seja mais natural e menos sofrida.

“O processo de adaptação envolve toda a família e a escola, com foco no bem-estar da criança. O pequeno tem que estar segura e se sentir acolhido”, ensina a supervisora da educação infantil do colégio Magnum Buritis, Patrícia Bevilaqua. Para isso, ela recomenda que os pais envolvam a criança nos preparativos, mostrando a mochila e o material escolar, por exemplo, mas não exagerem na dose, para não criar uma ansiedade desnecessária.

Outra dica é fazer do dia um grande acontecimento, para passar segurança e alegria para os pequenos. Levar a criança andando e mostrar confiança na hora de entregá-la para a professora também ajuda muito. A coordenadora da educação infantil do colégio Santa Maria do bairro Coração Eucarístico, Adriana Dornas, explica que, dessa forma, a criança percebe que está em um ambiente acolhedor. “Quanto mais seguros os pais ficarem, mais vão passam segurança para os filhos”, garante.

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Tratar o assunto com naturalidade é o que Blenda está tentando fazer. “Lara já brinca com a mochilinha dela e fala que vai ter muitos amigos na escola”, conta. Roberta Castelo Branco, 37, mãe de Sofia, de 1 ano e 10 meses, segue a mesma linha. “Ela já veste o uniforme e fala que vai para a escolinha”, conta. Mesmo assim, a mãe está com o coração apertado. “Estou ansiosa para saber como vai ser”, diz.

Mesmo com todo o preparo, porém, o choro nos primeiros dias é normal. As escolas garantem que, se necessário, chamam os pais para acalmar a criança durante a adaptação. 

 

Sistema imunológico é imaturo

A criança vai para a escola e começa a adoecer muito mais do que quando era cuidada em casa. A percepção dos pais é verdadeira, mas não requer uma preocupação exagerada por parte deles, diz a pediatra da Unimed-BH Marisa Lages Ribeiro. “Quanto mais novo, mais imaturo é o sistema imunológico, mas não quer dizer que vai ser um caos”, afirma a médica.

Ela explica que alguns cuidados podem reduzir o risco de adoecimento da criança, como, por exemplo, uma alimentação balanceada, inclusive na hora do lanche escolar. “O mais indicado é levar uma garrafinha de água, uma fruta e um pão, que pode ser um sanduíche ou um pão de queijo”, diz.

Ela completa que é importante que a criança fique em ambiente ventilado e tome sol em casa e na escola, além de estar com a caderneta da vacinação em dia.

 

Equipes das escolas são reforçadas

Para receber os pequenos, as escolas se preparam. Nos primeiros dias – e até nas primeiras semanas –, o projeto pedagógico fica em segundo plano, até que as crianças se sintam à vontade no ambiente e aptas a desempenhar as atividades.

As equipes também são reforçadas. “Fica todo mundo por conta deles”, diz Adriana Dornas, do colégio Santa Maria do bairro Coração Eucarístico. Além da professora e da auxiliar, professores especializados e coordenadores também ficam nas salas.

Rotina é importante

Sem mudanças. Nos dias que antecedem a entrada na escola, é importante manter a rotina da criança. “A fralda, a mamadeira e a ‘naninha’ podem ir para a escola”, diz a supervisora do Santa Maria do bairro Coração Eucarístico, Adriana Dornas. A supervisora do Magnum Buritis, Patrícia Bevilaqua, diz que as mudanças são introduzidas aos poucos. 


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