Um dia após a fuga de oito detentos do Complexo Penitenciário Nelson Hungria e da divulgação de um vídeo em que os presos reclamam da falta de água na unidade, um ônibus coletivo foi completamente incendiado na noite de domingo (28) na avenida João César de Oliveira, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Antes de fugir, os bandidos entregaram um bilhete para o motorista exigindo o “fim da opressão” na unidade prisional. 

O ônibus da 307 B (Sapucais/ Metrô via São Luiz), foi incendiado por volta das 22h na avenida, que é uma das maiores e mais movimentadas da cidade, na altura do bairro Eldorado, próximo à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) JK. 

Segundo o motorista do coletivo, três suspeitos chegaram e um deles sacou um revólver e mandou que os cinco passageiros que estavam presentes desembarcassem antes de atearem fogo no veículo.

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Foi então que um dos homens chamou o motorista e o entregou o bilhete que dizia: “Queremos que pare a opressão na Penitenciária Nelson Hungria, falta de respeito dos agentes na visita, opressão do GIT (grupo tático do sistema prisional) e falta de água há 48 horas nos anexo. Queremos providências (sic)”, diz o bilhete, que foi repassado à PM.

Logo depois da entrega do recado, o ônibus foi incendiado e os três homens fugiram em um veículo Fiat Pálio prata. O Corpo de Bombeiros foi acionado para apagar as chamas.Um vídeo publicado nas redes sociais mostra o coletivo em chamas: 

 

 

Testemunhas anotaram a placa do veículo. Na fuga, segundo a PM, os homens se envolveram em um acidente e abandonaram o carro. Há informações de que um veículo Voyage estaria dando cobertura aos criminosos. A PM verificou que o Palio havia sido roubado.

O ônibus e o Palio foram periciados e o boletim de ocorrência registrado na segunda delegacia de Polícia Civil de Contagem, que vai investigar o crime.

Confira o bilhete deixado pelos suspeitos com o motorista: 

FOTO: WEB REPÓRTER
BILHETE ONIBUS QUEIMADO
Bilhete foi entregue pelo trio que queimou o ônibus em Contagem

 

Fuga

No último sábado (27) pela manhã, oito detentos de alta periculosidade conseguiram fugir da Penitenciária Nelson Hungria, entre eles o traficante Felipe Souza da Cruz, conhecido por Jiraya por usar uma espada para torturar os seus algozes e adquirir drogas diretamente com a organização criminosa paulista PCC (Primeiro Comando da Capital).

Na manhã de domingo (28), uma série de áudios atribuídos aos detentos foram divulgados, denunciando que a unidade prisional continuava sem água desde sábado e que muitos deles estariam passando mal. Para os presos, a falta de água seria um castigo coletivo.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Administração Prisional (SEAP) informou que a falta de água foi em todo bairro Nova Contagem, onde está localizado o presídio, o que deixou o complexo penitenciário também sem abastecimento.

Ainda de acordo com a nota, a pasta entrou em contato com a Copasa e o fornecimento integral de água foi normalizado na manhã de domingo. As visitas ocorreram normalmente no dia, segundo a secretaria, com exceção do pavilhão onde aconteceram as fugas. A Secretaria informou ainda que irá apurar a autoria dos vídeos supostamente gravados por presos dentro da unidade prisional.

A Copasa confirmou, por meio de nota, que realmente houve problemas de abastecimento no bairro Nova Contagem devido a um problema de bombeamento de água, e que a normalização aconteceu de forma gradativa.


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