David é capixaba de Serra, mas se mudou no fim da adolescência para Salvador, onde foi jogar nas categorias de base do Vitória. Em 2014, ajudou sua equipe a chegar ao vice-campeonato da Copa do Brasil Sub-20, marcando três gols na competição. Em 2015, foi a vez de se destacar no Campeonato Baiano de Juniores, pelo qual fez sete gols em 12 partidas. Não demorou muito para a comissão técnica rubro-negra aproveitar o atacante no grupo principal.

Em 2017, David conseguiu seus melhores números pelo clube baiano: balançou as redes 11 vezes em 63 partidas e despertou a atenção de várias equipes do Brasil. O Cruzeiro venceu a disputa com o Palmeiras e pagou ao Vitória 2,5 milhões de euros (R$ 9,7 milhões) por 70% dos direitos econômicos da jovem promessa, que assinou contrato até dezembro de 2022 e planejou superar o desempenho do ano anterior.

“Jogador tem que ter metas. Nas férias, já tem que começar a pensar para ter um ano brilhante. Infelizmente essa lesão me tirou o começo do ano em campo. Mas o que eu penso é que não posso ser inferior ao que produzi na temporada passada. Com esses jogadores no elenco do Cruzeiro, minha meta vai ser maior. Quero fazer mais gols que no ano passado”, disse David, na coletiva de apresentação concedida nessa terça-feira.

Não é a primeira vez que o Cruzeiro adquire um jogador revelado pelo Vitória e com expectativa de grande crescimento profissional. O Superesportes relembrou abaixo alguns casos relevantes e que podem servir de exemplo para o novo camisa 11.

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Geração vice-campeã brasileira em 1993

Em 1994, o clube trouxe ninguém menos que o goleiro Dida. No ano anterior, ele havia sido vice-campeão brasileiro pelo Vitória, derrotado pelo Palmeiras na final. No Cruzeiro, virou sinônimo de segurança, sobretudo para defender pênaltis, e ganhou vários títulos importantes – entre os quais a Copa do Brasil, em 1996; a Copa Libertadores, em 1997; e quatro edições do Campeonato Mineiro (1994, 1996, 1997 e 1998).

Com 306 partidas, Dida é o quarto de sua posição que mais jogou pela Raposa. Posteriormente, o arqueiro de 1,96m se destacou por Corinthians, Milan-ITA e Seleção Brasileira. Nos últimos anos da carreira, esteve na Portuguesa, no Grêmio e no Internacional.

Enquanto Dida veio para o Cruzeiro diretamente do Vitória, Alex Alves e Paulo Isidoro, outros integrantes da geração vice-campeã nacional em 1993, rodaram pelo Brasil antes de acertarem com o time mineiro. O primeiro passou por Palmeiras, Juventude e Portuguesa. O segundo, que também defendeu o Verdão, atuou por Internacional e Guarani.
Alex Alves chegou ao Cruzeiro em 1998, aos 23 anos, e logo caiu nas graças da torcida. Suas comemorações com golpes de capoeira empolgavam os torcedores. Um dos momentos mais marcantes do jogador com a camisa azul e branca ocorreu na semifinal do Campeonato Brasileiro, quando ele fez um gol de letra na vitória sobre a Portuguesa por 3 a 1, diante de mais de 90 mil torcedores no Mineirão. Mesmo sendo habitualmente reserva no elenco comandado por Levir Culpi, balançou as redes 21 vezes.
Em 1999, Alex Alves virou titular e foi o artilheiro celeste na temporada, com 34 gols. Em nenhum outro ano ele conseguiu número tão expressivo. Em virtude da ótima performance, o Hertha Berlin, da Alemanha, adquiriu seu passe por US$ 7 milhões. Na Europa, o atacante fez 35 gols em três anos e meio. Longe das estatísticas que o fizeram virar xodó dos cruzeirenses. Na sequência da carreira, Alex vestiu a camisa de Atlético, Vasco, Vitória (segunda passagem), Boavista-RJ, Kavala-GRE e União Rondonópolis. Visivelmente em declínio, pendurou as chuteiras oficialmente em 2010. Em novembro de 2012, enfrentou seu último adversário e perdeu a luta contra uma doença rara denominada hemoglobinúria paroxística, falecendo aos 37 anos.

Já Paulo Isidoro – batizado Alex Sandro Santana de Oliveira e apelidado aos nove anos em função da semelhança com o ex-meia de Atlético e Seleção Brasileira – chegou ao Cruzeiro em fevereiro de 1999. A compra do jogador foi realizada mediante pagamento de R$ 600 mil ao Guarani, que recebeu a importância financeira em duas parcelas. O armador se destacava pela velocidade e facilidade em driblar, mas também fazia seus gols. Foram 25 em 79 partidas na passagem de um ano e meio, abreviada em junho de 2000 por um empréstimo ao Kawasaki Frontale, do Japão. Por esse negócio, o Cruzeiro embolsou US$ 300 mil. Os japoneses tinham a opção de exercer a compra, mas Paulo Isidoro sofreu um problema no púbis e retornou à Toca da Raposa antes do término do contrato, em abril de 2001. A partir dali não teve mais sequência e passou a ser emprestado até ter o vínculo encerrado, em fevereiro de 2002.

Estrangeiro goleador e contratação “forçada”

Em março de 2007, um grupo de empresários espanhóis comprou 90% dos direitos econômicos de Marcelo Moreno por US$ 400 mil (cerca de R$ 830 mil) e destinou 40% ao Cruzeiro como taxa de vitrine. O boliviano, que passara pela seleção de base do Brasil, havia marcado 12 gols na Série C de 2006, da qual o Vitória terminou como vice-campeão. Meses antes, a Raposa já tinha acertado com a direção do Leão a aquisição de 50% do “passe” do armador Leandro Domingues (vice-artilheiro da Terceirona, com 15 gols) por R$ 800 mil.
Rodrigo Clemente/EM D.A Press

As trajetórias de Moreno e Domingues no Cruzeiro tiveram contornos diferentes. No começo, o atacante ficou encostado, enquanto o meio-campista ganhava oportunidades. Em meados de 2007, os dois atuaram juntos no Brasileiro. Já em 2008, Marcelo virou protagonista sob o comando do técnico Adilson Batista, e Leandro perdeu espaço ao ponto de ser emprestado a Fluminense e ao próprio Vitória. Em 2010, rumou para o Kashiwa Reysol, do Japão, onde virou ídolo.

Na primeira passagem pelo Cruzeiro, Marcelo Moreno disputou 36 jogos, contabilizou 21 gols e ganhou o Campeonato Mineiro de 2008. O Shakhtar Donestk, da Ucrânia, pagou 9 milhões de euros pela compra de 100% dos direitos econômicos. A Raposa faturou 40% do valor.

Em 2014, quando estava vinculado ao Grêmio, Moreno atuou por empréstimo na equipe celeste e marcou 24 gols em 57 apresentações, conquistando o Estadual e o Campeonato Brasileiro. Somadas as duas passagens, o ex-camisa 9 chegou a 45 tentos em 93 partidas e se tornou o maior artilheiro estrangeiro do clube.

Também em 2014, no mês de junho, o meia Marquinhos trocou o Vitória pelo Cruzeiro por intermédio da Traffic. O detalhe é que o técnico Marcelo Oliveira não tinha interesse na contratação do atleta (clique no link e relembre a repercussão). Ainda assim, o escalou em várias partidas do Campeonato Brasileiro. No primeiro ano, Marquinhos disputou 22 jogos, sendo 17 como titular, e marcou quatro gols. Na segunda temporada, esteve em campo em 42 oportunidades e balançou as redes seis vezes. Em dezembro de 2015, o Cruzeiro trocou o atleta pelo lateral-esquerdo Fabrício, do Internacional.

Tríplice Coroa
Campeões da Tríplice Coroa em 2003, o lateral-esquerdo Leandro e o atacante Aristizábal não foram revelados pelo Vitória, mas estavam no elenco rubro-negro na temporada anterior. O primeiro chegou a Belo Horizonte em junho de 2002, adquirido por US$ 1 milhão (50% do passe) mais o empréstimo do atacante Leonardo, e disputou a Copa dos Campeões e o Campeonato Brasileiro. O segundo encerrou o ano pela equipe baiana e contabilizou 30 gols – 11 na Copa do Nordeste, seis no Campeonato Baiano, três na Copa do Brasil, um na Copa dos Campeões e 10 no Brasileiro.
Em 2003, Leandro e Aristizábal foram “figurinhas carimbadas” no elenco campeão mineiro, da Copa do Brasil e do Brasileiro. O lateral participou de 55 partidas e marcou um gol. Por sua vez, o centroavante colombiano alcançou 28 tentos em 54 apresentações, sendo o vice-artilheiro do elenco ao lado de Deivid. Os dois só não fizeram mais gols que Alex, que encerrou o ano com 39.

Arquivo/EM D.A Press
Principais jogadores revelados pelo Vitória que o Cruzeiro contratou:
Goleiros:
Dida (1994 a 1998): 306 jogos
Juninho (2006): nenhum jogo
Laterais-direitos:
Rodrigo (2000): 46 jogos
Apodi (2008): 17 jogos e 1 gol
Zagueiro:
Leonardo Silva (2009 a 2010): 73 jogos e 11 gols
Lateral-esquerdo:
Leandro (2003 a 2004; 2006): 162 jogos e 7 gols
Armadores
Paulo Isidoro (1999 a 2000; 2002): 81 jogos e 26 gols
Leandro Domingues (2007 a 2008): 43 jogos e 11 gols
Atacantes
Alex Alves (1998 a 1999): 114 jogos e 55 gols
Aristizábal (2003): 54 jogos e 28 gols
Marcelo Moreno (2008): 93 jogos e 45 gols
Marquinhos (2014 a 2015): 67 jogos e 10 gols
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