A faxineira Ruthleia Antero dos Santos, de 53 anos, foi morta com várias facadas pelo companheiro, o carregador da Ceasa Gilmar Pessoa de Oliveira, de 45,e o agressor ainda correu atrás de uma vizinha que tentou socorrer a vítima, tentando acertar um golpe nas costas dela. Um adolescente de 13 anos impediu Gilmar de cometer mais um crime e foi esfaqueado na mão. O homicídio foi por volta das 22h de terça-feira (31), na rua Areia, no bairro Novo Progresso, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte.

A babá Paloma Ingrid Marques dos Anjos, de 28, conta que pulou a janela do quarto para socorrer a amiga Ruth, quando Gilmar correu atrás dela com a faca. O momento foi de desespero, segundo a vizinha. “Ruth começou a gritar: ‘Paloma, me socorre que ele está me matando. Pulei a janela da minha casa e entrei na casa dela. Quando cheguei em frente à porta do quarto, eu vi ele retirando a faca das costas dela. E ele gritou comigo: ‘Eu vou te matar também. Você não vai pedir socorro para ela, não’. Eu, então, saí correndo para a rua. Foi quando eu encontrei com o menor, que me pediu para eu desviar. O menor tentou tomar a faca dele e levou uma facada na mão”, conta a babá.

Moradores da rua ficaram revoltados com o crime e espancaram Gilmar. Paloma voltou para socorrer a amiga, que, mesmo ferida, com o pulmão perfurado e perdendo muito sangue, conseguiu ir para a rua pedir socorro. Paloma e outra vizinha a colocaram no carro e a levaram para o hospital.

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“No carro, o tempo todo ela chamava pelo meu nome, pedindo para eu não deixá-la morrer. É tanto que o último suspiro dela foi olhando para mim e pedindo para não deixá-la morrer”, disse a amiga, chorando.

Segundo Paloma, o autor do crime não usava drogas, mas se transformava em um “monstro” quando bebia. “Já separei diversas brigas deles, pulando dentro da casa deles para separar os dois. Ele sempre a agredia e sempre falava: ‘um dia, eu vou acordar e vou te amar’. Até que um dia ele matou ela, realmente”, lamenta Paloma. Segundo ela, o crime aconteceu na terceira briga do casal do dia.

Herói 

O adolescente que salvou Paloma é tratado como herói no bairro. A babá conta que se não fosse ele, ela não estaria viva para contar a história. “Não, não estaria viva aqui hoje. Eu ia tomar uma facada nas costas e morrer”, acredita Paloma.
Segundo ela, as brigas do casal não tinham motivos. “Simplesmente, ele chegava bêbado em casa e começava a chamá-la de um monte de nomes feios. Falava que iria matá-la, que só sairia da casa depois que a matasse”, comentou a babá.

O garoto disse não ter pensado duas vezes quando enfrentou o homem armado para salvar Paloma. Ele levou cinco pontos na mão. “Eu estava no portão da minha casa, mexendo com o meu telefone, e vi a Paloma gritando por socorro. Eu subi a rua e o cara estava correndo atrás dela com a faca não mão. Eu entrei no meio e segurei a faca na mão dele. Foi quando ele acertou um golpe na minha mão esquerda”, conta o menor.

Socorro

A manicure Natália Rodrigues de Carvalho, de 19, outra vizinha da vítima, foi a primeira a socorrer a vítima. “Eu estava ouvindo muitos gritos. Quando saí no portão, eu já me deparei com a Ruth esfaqueada nas costas e saindo muito sangue. Peguei minha blusa e tentei estancar o sangue. Olhei para cima e vi Paloma correndo e Gilmar atrás dela, com uma faca na mão, gritando que iria matá-la”, conta Natália. “Ruth, mesmo esfaqueada nas costas, no ombro, na barriga e na cabeça, ela correu para a rua, pedindo socorro e gritando o nome da Paloma, desesperada, com medo dela ser morta”, relata Natália.

A manicure conta que Gilmar ficou dois meses internado numa clínica para tratar o alcoolismo, separado da mulher. “Quando ele saiu, ele insistiu para voltar e ela o aceitou de novo. Só que ele voltou a beber e começou tudo de novo. Sem beber, ele nem parecia o homem que era, muito tranquilo”, comentou Natália.

Segundo a vizinha, Ruth era muito querida pelos vizinhos, motivo que levaram os vizinhos a espancar Gilmar. “Bateram muito. Deram pauladas, chutes, socos e golpes de pá. Só não bateram mais porque o Samu chegou e o encontrou caído e prestou socorro”, comentou a manicure.

A mulher assassinada deixou duas filhas de um primeiro relacionamento, de 24 e 30 anos. Um filho dela, de 22, foi executado há a tiros há dois meses, no bairro Morada Nova, crime até hoje não esclarecido, segundo Natália. Ruthleia e Gilmar viviam juntos há dois anos. A casa era dela e ele se recusava a sair.

Natália conta que a vítima nunca registrou queixa contra o agressor, por acreditar que um dia ele fosse parar de beber e melhorar. “Ela sempre foi uma mulher guerreira, batalhadora. Toda vez, ele falava que não ia fazer isso mais, mas continuava batendo nela”, conta a manicure.

Gilmar ficou gravemente ferido e está internado sob escolta policial no Hospital Municipal de Contagem. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o homicídio e ouviu as testemunhas na delegacia de plantão.
 


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