Loja não entrega armas a agentes penitenciários e guardas municipais

Cerca de 150 servidores de segurança pública, entre agentes penitenciários e guardas municipais, afirmam ter sofrido um golpe ao comprarem armas em uma loja especializada na capital. De acordo com os servidores, a Padrão de Minas, que tem sede no bairro Estoril, na região Oeste, cobrou entre R$ 3.500 e R$ 4.500 em cada arma, mas não entregou. O dono da empresa nega prática de estelionato.

Segundo o presidente da Associação dos Agentes e Servidores Prisionais (Amasp), Diemerson Souza, a loja tinha preços mais atraentes que os praticados no mercado. Os anúncios chegaram via WhatsApp, em panfletos ou até mesmo nas unidades prisionais. “Como já havia algumas pessoas que receberam essas armas, os agentes nem desconfiaram da idoneidade da loja e compraram”, disse.

Segundo Souza, o processo de retirada da arma por um agente penitenciário ou guarda municipal começa com a compra em uma loja autorizada pelo Exército. O comprador, então, formaliza um contrato com a empresa, que encaminha a documentação ao Exército e libera uma nota fiscal para que o comprador pegue a autorização de retirada da arma no órgão.

No caso da Padrão de Minas, os compradores notaram que as notas fiscais não estavam sendo liberadas. Segundo Souza, de um dia para o outro, os funcionários pararam de dar retornos e o site da empresa saiu do ar.

O agente penitenciário Wilson Ferreira recebeu o anúncio pelo WhatsApp e encontrou uma referência à empresa no site do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (Sindpol-MG). Morador de João Monlevade, na região Central, ele viajou até a capital para efetuar a compra. “Colegas meus receberam o armamento. Paguei R$ 3.700 em dinheiro, e eles ficaram me enrolando”, afirmou.

Respostas

Por meio de nota, o Sindpol informou que apenas apresentou os potenciais compradores ao vendedor e que só firmou a parceria após comprovar que a empresa tinha licença para comercialização da armas. O sindicato também afirmou que membros de sua diretoria foram vítimas do golpe. A regional do Exército em Minas afirmou que não conseguiria verificar a procedência da loja, porque o expediente nessa terça-feira (30) era até as 13h. Já a Polícia Civil informou que um inquérito será instaurado e que vai intimar os envolvidos nos próximos dias.

Proprietário diz que houve desvio

O proprietário da empresa Padrão Minas, Henrique Marques, conversou com a reportagem na tarde dessa terça-feira (30) e afirmou ser tão vítima do golpe quanto os agentes. Segundo ele, funcionários da empresa desviaram a verba e não apresentaram os contratos firmados com os servidores.

“Foi um contratempo que aconteceu com o pessoal que trabalha na empresa. Teve um desvio de dinheiro, mas a empresa já está tomando todas as medidas cabíveis e já marcou uma reunião com os agentes. Até amanhã (31), o problema estará resolvido, graças a Deus”, afirmou Marques.

O presidente da Associação dos Agentes e Servidores Prisionais (Amasp), Diemerson Souza, informou à reportagem que chegou a conversar com o empresário, mas negou que alguma reunião tenha sido marcada ou que algum avanço nas negociações tenha acontecido.

O vendedor externo da loja, Leandro Vieira, tem sido ameaçado pelas redes sociais, conforme informado por seu advogado, Fabiano Oliveira. A defesa do funcionário não descarta a possibilidade de funcionários terem desviado verba, mas pondera que a maior parte dos depósitos foram feitos na conta do proprietário Henrique Marques. “O Leandro conversou com o financeiro da empresa. Eles informaram que o Henrique foi lá e retirou os notebooks e as documentações para a compra de armas provavelmente na terça-feira passada”, afirmou. “Se a conta é da empresa, só o dono tem acesso. Essa é a prova das mentiras. Cada uma pior do que a outra”, afirmou Vieira.

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