‘Maníaco de Contagem’ é condenado a mais de 30 anos de prisão

O ex-motorista Marcos Antunes Trigueiro, de 39 anos, conhecido como Maníaco de Contagem, foi mandado ao banco dos réus nesta quarta-feira (7) e condenado a mais 30 anos e cinco meses de prisão, em regime fechado, pelos crimes de homicídio, ocultação de cadáver, estupro e furto. O julgamento, que aconteceu no plenário da Câmara Municipal de Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte, demorou seis horas.

Esse foi o quinto e último julgamento de uma série de estupros e assassinatos de mulheres atribuídos a ele. O juiz José Honório Rezende considerou a personalidade “cruel e perversa” do réu ao dosar o tamanho da pena de reclusão.

Trigueiro já estava condenado a 130 anos de prisão por quatro dos cinco crimes cometidos em 2009 na região do bairro Cidade Industrial, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. Hoje, ele foi julgado pela morte da comerciante Adna Feitor Porto, de 34 anos.

A comerciante foi abordada por Trigueiro em um veículo, em 26 de janeiro de 2009, no bairro Lindéia, região do Barreiro. O julgamento aconteceu no plenário da Câmara Municipal de Ibirité, pois o corpo dela foi encontrado, dias depois, em uma moita da região.

Logo no início da sessão, o réu foi interrogado pelo juiz José Honório de Rezende, mas ele preferiu não se manifestar. No entanto, Trigueiro reconheceu o depoimento prestado por ele na fase policial, que foi lido em plenário pela promotora de Justiça Manuela Faria.

No depoimento, Trigueiro deu detalhes do crime e admitiu, inclusive, que depois de estuprar a vítima ele a esperou vestir a roupa para matá-la por asfixia.

Para a promotora, o sadismo de Trigueiro era tanto que ele sentia prazer com a morte. Ela pediu a condenação do réu por estupro, homicídio qualificado por quatro vezes, pelo motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e tentativa de garantir a impunidade de crime anterior (matar para ocultar o estupro), e também por ocultação de cadáver e furto, pois o acusado levou um celular da vítima.

A promotora rechaçou a tese da defesa em outros processos criminais afirmando que Marcos Trigueiro é doente mental. Para ela, o réu é louco por conveniência.

“É possível, pela análise dos outros crimes, verificar que ele realmente executava os crimes de uma forma semelhante, o mesmo perfil de vítimas, o mesmo perfil de abordagem, e a execução era muito similar. Ele sempre violentava as vítimas e depois as executava por asfixia”, afirmou Manoela.

Ainda de acordo com a representante do Ministério Público, o réu é uma pessoa fria, calculista, que planejava seus crimes. “Temos que ter clemência é da vítima e da família dela, que ficou oito dias sem notícia, até o corpo ser localizado, e clemência dos filhos que vão crescer sem a mãe”, afirmou a promotora, durante o seu debate. “Ele é um psicopata, é uma pessoa fria, que planejava e executava os crimes de uma forma fria, com indiferença à vítima, mas ele não é um doente. É um psicopata. Ele nunca fez tratamento psiquiátrico e, por isso, deve responder pelos seus atos. O caso dele é um desvio de conduta que merece prisão, porque não tem tratamento”, disse a promotora.

Marcos Tigueiro foi defendido pelo advogado Rodrigo Bizzotto, que tentou derrubar a tese da promotora. Na sua defesa, Bizzotto retomou as situações em que o réu cometeu os crimes e disse que em nenhum momento o cliente dele teve a intenção de ocultar os corpos, que ele não furtou o celular da vítima, que o cliente é réu confesso e a materialidade do crime está comprovada através de exame de DNA.


Diante do Conselho de Sentença, composto por quatro homens e três mulheres, o advogado falou até em amor, ao fazer referência à esposa do acusado, que mantém o casamento e visita o marido periodicamente na prisão, segundo o defensor.


Por fim, o advogado defendeu a desclassificação dos crimes para somente estupro seguido de morte. Argumentou com o princípio da insignificância em relação ao furto e pediu a ausência de dolo no crime de ocultação de cadáver.


Depois do julgamento, Trigueiro foi levado de volta para a Penitenciária Nélson Hungria, em Contagem, onde cumpre pena desde 2010, e presta serviços artesanais, segundo o advogado. “A gente percebe, até pela idade dele agora, que a pessoa vai mudando a sua sistemática de vida. A gente espera e torce que ele mude, que não venha a cometer outros delitos quando for gozar da liberdade”, disse o advogado. Ele disse que não vai recorrer da sentença, pois no caso do cliente dele é irrelevante. O que importa, segundo ele, é trabalhar os benefícios da execução penal.


PROTESTO


O julgamento estava previsto para começar às 8h e Marcos Trigueiro chegou à Câmara de Ibirité com quase uma hora de atraso, escoltado por agentes penitenciários, em um forte esquema de segurança.

O acusado foi recebido sob protesto da população, que o chamava de assassino e de monstro. A dona de casa Célia Barbosa, de 55 anos, ficou tão emocionada que passou mal e precisou ser amparada pelas pessoas. “Ele deve ser condenado. É covardia demais o que ele fez. Choca qualquer um. É de adoecer. A gente fica doente com tanta crueldade que ele cometeu”, disse a a dona de casa, chorando.

OUTRAS CONDENAÇÕES

30 de junho de 2010: Condenado a 34 anos e 11 meses pelo estupro e morte da empresária Ana Carolina Menezes de Assunção, de 27 anos. Ela foi estrangulada com o cardaço do tênis e deixada no carro com o filho de um ano e meio dormindo sobre o corpo.


30 de setembro de 2010: Condenado a 28 anos pelo estupro e morte da comerciante Maria Helena Lopes Aguilar, de 49 anos, estrangulada com o cinto de segurança do carro.


22 de novembro de 2011: Condenado a um ano e seis meses pelo furto de um som, na comarca de Brasília de Minas.

11 de setembro de 2012: Condenado a 36 anos e nove meses de reclusão em regime fechado pelo estupro, assassinato e furto do celular da contadora Edna Cordeiro de Oliveira Freitas, de 35 anos, enforcada com o colar que usava.

11 de novembro de 2014:  Condenado a 31 anos, oito meses e 10 dias de reclusão em regime inicialmente fechado, por manter conjunção carnal e, ao final, matar a estudante de direito da PUC-Minas, Natália Cristina de Almeida Paiva, de 27 anos.

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