Histórias sobre outro lado da folia

A cliente entra no carro bêbada e molhada, olha para o taxista e avisa: “Vou tirar a roupa, não repara, não”. Essa é apenas uma das situações que taxistas e motoristas de aplicativo vivenciam durante o período de Carnaval. Prontos para a festa, grande parte dos foliões deixa as boas maneiras em casa. “Ela acabou ficando de calcinha e sutiã dentro do carro e entrou assim dentro do hotel”, detalhou o taxista Roylon Henrique Medeiros, 39.

Ele é um dos sete motoristas entrevistado por O TEMPO que contaram os perrengues vividos durante a festa nos últimos anos da capital. Todos contaram ter passado por situações inusitadas – como excesso de purpurina, xixi e até vômito – e algumas até perigosas, que revelam comportamento arriscado e ousado do folião ao usar o serviço no Carnaval.

O taxista Eduardo Fernandes, 34, contou que precisou conter um folião embriagado que queria dirigir o carro. “O cara entrou bêbado demais e cismou que eu dirigia mal. Ele queria pegar a direção”, lembrou. Fernandes revelou que ficou calmo, controlou o passageiro e conseguiu evitar que algo pior acontecesse.

Já o motorista de aplicativo Ramon Guilherme da Rocha, 56, foi outro que passou por uma situação para lá de desagradável. Ao chegar para atender um casal, Rocha logo reparou que a moça havia vomitado e avisou ao companheiro dela. “Ela vai vomitar de novo, a responsabilidade é sua”. Mas o cliente garantiu que se a companheira fizesse sujeira, ele pagaria a limpeza.

Dito e feito. A passageira não aguentou, e o motorista passou a madruga no lava a jato, higienizando o veículo. “Foi muito desagradável. Ela estava em uma situação muito ruim: alcoolizada e toda suja de vômito. No meio do caminho, ela vomitou. Levei os dois até o destino, e o passageiro fez o acerto”, afirmou.

Estímulo. Apesar de todos os problemas, a expectativa é boa para mais um Carnaval. E o motivo é simples: garantia de corridas e dinheiro extra.

“É uma oportunidade de ganhar mais dinheiro. Se não fosse isso, eu estaria lá no Carnaval também, só não iria precisar limpar meu carro”, brincou Geraldo Melo Silva Júnior, 59.

 

Sufoco

“Peguei três meninas, na Savassi. Uma dizia que queria fazer xixi no carro. Eu falei que havia acabado de pegar serviço e que não iria aguentar o cheiro. Paramos na praça da Liberdade, e ela fez xixi.”
Adisson da Silva, 52
taxista

Falta de educação

“Peguei três no Padre Eustáquio e fui levar à praça da Liberdade. Elas estavam com purpurina, e o carro ficou cheio. Quando fui limpar, uma das meninas ainda havia pregado chicletes no carro.”
Ramon da Rocha, 56
Motorista de aplicativo

Bêbado

“O passageiro foi tomar a cerveja e não acertava a boca. No fim da corrida, ele arrancou o cartão, me deu a senha e falou ‘passa aí’. Finalizei e fiz um recibo, caso ocorresse algo errado.”
Welbert Souza Silva, 21
Taxista

Ajuda

“Eu presenciei um arrastão. Levaram celular, dinheiro e roupa de um casal, na rua Santa Catarina. A única coisa que eu pude fazer foi levar os dois em casa sem cobrar.”
Eduardo Fernandes, 34
Taxista

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