Abuso de álcool e outras drogas é causa de 8 a cada 10 atendimentos

Como diz a marchinha de Carnaval “Me Dá um Dinheiro aí”, muitos foliões de Belo Horizonte estão “bebendo até cair”. Dos 400 atendimentos médicos realizados nos dois Postos Médicos Avançados (PMAs) montados pela prefeitura, 80% estão relacionados a intoxicação por álcool e outras drogas. No entanto, a bebedeira dos foliões não prejudicou a segurança na festa, que foi considerada tranquila pela Polícia Militar (PM).

Ao menos 10% dos pacientes que chegaram alcoolizados aos PMAs – um na praça da Estação, no centro, e outro na rua Paraíba, no Funcionários, ambos na região Centro-Sul – estavam em estado grave e foram encaminhados a hospitais. “Muitas vezes, a pessoa chega em coma e precisa até ser ventilada mecanicamente. É necessário todo um esforço da equipe médica para poder ressuscitar a pessoa”, relata a gerente de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Susana Rates.

Entre o último sábado e as 12h de terça-feira (13), os dois PMAs registraram 400 atendimentos – média de 4,76 por hora. No ano passado, foram 359 nos quatro dias de Carnaval, uma média horária de 3,73, o que resulta em aumento de 27,6% no número de pacientes recebidos nos locais a cada hora.

De acordo com Susana, um dos fatores responsáveis pela elevação nos atendimentos é o crescimento do público no Carnaval belo-horizontino. “A cidade recebeu muitos visitantes. As pessoas consomem bebida alcoólica exageradamente nessa época e às vezes se esquecem de se hidratar, de se alimentar, de descansar, práticas essenciais à manutenção da saúde”, alerta.

O chapista Michael Alan Costa, 27, praticamente não comeu nada do meio-dia de segunda até terça-feira. Para curtir a folga na folia, ele chegou à praça da Estação ao meio-dia, mas passou mal na terceira cerveja e precisou ser carregado por parentes para o PMA. “Ele acordou de manhã, não comeu nada e veio para a praça beber”, comentou um irmão.

No mesmo local, um jovem de 19 anos não conseguia ficar em pé de tanto beber. “Tenho um fraco contra catuaba. Estou bebendo desde ontem”, assumiu.

 

Jovens são a maioria dos pacientes

A maioria dos pacientes alcoolizados atendidos nos dois Postos Médicos Avançados (PMAs) da prefeitura tem até 25 anos, e pelo menos 20% deles são menores, afirma a gerente de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Susana Rates. “São jovens com 13 e 14 anos, e precisamos acionar a Promotoria da Criança e do Adolescente para chamar os pais ou responsáveis. É necessário esse respaldo para liberar esses menores”, explica.

Segundo ela, como há muitos ambulantes no Carnaval, não há grande controle do uso de álcool pelos menores. “As pessoas têm acesso mais fácil à bebida e acabam ingerindo uma quantidade de álcool maior do que o organismo dá conta”, comentou.

Susana alerta que muitas pessoas não percebem que as bebidas destiladas têm maior concentração de álcool e exageram no consumo. “Muitos adolescentes acabam misturando bebidas. É muito perigoso”, conclui.

Homens x mulheres

Gênero. O consumo de bebida alcoólica normalmente é maior entre os homens, segundo Susana Rates, mas neste Carnaval as mulheres estão surpreendendo. “No geral, o atendimento de homens alcoolizados é maior do que o de mulheres. Mas temos visto muitos casos envolvendo mulheres”, diz.

Cuidado. Independentemente do gênero, Susana alerta que “é importante a pessoa se cuidar para desfrutar com mais alegria e paz a festa”.

Estrutura

Cada Posto Médico Avançado (PMA) tem cinco médicos, três enfermeiras, técnicos em enfermagem e 16 leitos. Neste ano, além das UPAs, a prefeitura reservou 20 leitos no Hospital do Barreiro para atender foliões. As unidades do Samu também aumentaram de 28 para 34, com bases em todas as regiões, nos PMAs e nos eventos. 

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