Edifício Acaiaca pode se tornar nova atração turística da capital

Há um “setentão” na capital mineira que pretende dar o pontapé inicial para revitalizar a área central de Belo Horizonte e fazer de seu projeto um marco no turismo da capital. “Quando uma pessoa vai a Paris e não conhece a torre Eiffel, por exemplo, é como se ela não tivesse ido ao país. Nós pensamos que vir a Belo Horizonte e não conhecer o Edifício Acaiaca pode ser algo semelhante”, afirma Antonio Rocha Miranda, 80, presidente do Conselho Consultivo e Fiscal do Edifício Acaiaca.

O projeto, elaborado por um grupo de empresários que detém salas comerciais no Acaiaca, visa permitir que o prédio comercial, que faz parte da história da cidade desde 1943, volte a ser palco da cena cultural de BH, proporcionando a valorização do quarteirão formado pela avenida Afonso Pena – onde o edifício está localizado – e pelas ruas dos Tamoios, Espírito Santo e dos Tupis.

Segundo Miranda, um plano diretor do empreendimento apresenta, entre outras possibilidades de intervenção, a construção de uma tirolesa – e até mesmo de um teleférico – ligando o prédio ao Parque Municipal Américo Renné Giannetti, em uma distância de pouco mais de um quarteirão.

“Um plano diretor é um planejamento que define ações a serem realizadas ao longo do tempo, sempre buscando ampliar as potencialidades do lugar”, explica o arquiteto e urbanista Carlos Alberto Maciel, que liderou a equipe responsável pelo estudo.

O projeto foi apresentado em setembro de 2017 ao Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município, já que a fachada e o hall de entrada do Acaiaca são tombados pelo patrimônio municipal, e aprovado no mês passado pelo órgão.

Conforme Miranda, a implantação do plano diretor ainda depende da realização de projetos detalhados, como o de viabilidade econômica. “Queremos contar com incentivos fiscais e leis de incentivo à cultura”, diz ele, que também é dono de salas no espaço comercial.

Vista do Acaiaca. Na busca pela modernização do prédio, o último andar, o 26°, exerceria o papel principal. De lá, a cidade pode ser vista por um ângulo de 360º, o que o permitiria abrigar um mirante, por exemplo. “No momento, esse espaço está interditado. Estamos em processo de aprovação de projeto contra incêndio e pânico junto ao Corpo de Bombeiros. Mas, depois que a questão da segurança estiver resolvida, pensamos até em abrir um café lá em cima”, revela Miranda.

É nesse patamar que também se projeta estabelecer o ponto inicial da tirolesa e/ou do teleférico, uma vez que dessa posição há uma linha reta para o parque, sem a interferência nem mesmo de fios da rede elétrica. “Vamos trabalhar para que as pessoas abracem o Acaiaca, que é um patrimônio de Belo Horizonte, e também buscar o apoio do poder público. Assim, poderemos melhorar a área central de BH”, conclui o empresário.

Segundo a direção do Edifício Acaiaca, vários especialistas avaliaram o projeto de revitalização do prédio e do entorno dele e aprovaram a proposta. Ainda de acordo com a direção, investir no turismo local pode trazer reconhecimento e renda para a região.

As intervenções pensadas para o edifício oferecem experiências turísticas já em vigor em grandes edificações de outras partes do mundo, como Paris, Londres e Nova York, além de São Paulo. Na capital mineira, outro edifício, o Arcângelo Maletta, já se destaca no cenário cultural.

Bikes. A construção de um bicicletário está contemplada no projeto de revitalização do Acaiaca.

Localização. Parte do abrigo antiaéreo que existe no porão do prédio – construído durante a Segunda Guerra Mundial – é o local escolhido para a construção de um estacionamento para 33 bicicletas. A entrada e a saída do espaço seriam pela rua dos Tamoios.

Empresários querem acesso a local à noite

Abrigando uma diversidade de lojas, desde escritórios, imobiliárias e salões de beleza até uma igreja evangélica, o Edifício Acaiaca, atualmente, funciona em horário comercial e apenas dentro de seus limites. O projeto de revitalização do espaço prevê a iluminação do prédio e o acesso do público a áreas comuns do local também à noite, assim como a possibilidade de que atividades externas “conversem” com o interior do prédio.

“A sacada do Acaiaca fica em frente à Igreja São José, com sua extensa escadaria. Imagina fazermos lá um restaurante? As pessoas jantando e apreciando, por exemplo, uma apresentação musical nas escadas da igreja. Tem muita coisa que podemos fazer”, vislumbra o presidente do Conselho Consultivo e Fiscal do edifício, Antonio Miranda, acrescentando que o edifício poderia se transformar em palco para eventos, movimentando a economia local. Segundo ele, ainda se projeta a construção de coworkings, um modelo de trabalho em que se compartilham espaço e recursos.

Conforme consta no plano diretor do edifício, todas as ações têm como objetivo preservar o prédio e “prepará-lo para seu uso pleno, garantindo sua presença digna para as gerações futuras”, analisa o arquiteto e urbanista Carlos Alberto Maciel.

Vocação. Favorecido pela localização na cidade, o Acaiaca já abrigou um cinema e a faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mais recentemente, o 25º andar do prédio, também chamado de “rooftop Acaiaca”, recebeu algumas exposições.

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