Motoristas de aplicativo têm adotado técnicas para fugir de assaltos

Motoristas de aplicativos estão adotando estratégias para fugir dos assaltos em Belo Horizonte e região metropolitana. Pelo menos três foram roubados e ameaçados de morte em um período de 24 horas. Na noite de quarta-feira, um motorista foi rendido por dois adolescentes, de 14 e 16 anos, e ameaçado com uma tesoura no pescoço. A vítima, Sebastião Eugênio de Castro, de 53, foi obrigado a entregar o carro. O crime foi em Ibirité, na Grande BH.

Sebastião foi chamado para uma corrida na rua Fundão, no bairro São Salvador, em Ibirité, e quando chegou ao local foi rendido pelos adolescente, que ameaçaram furar o pescoço dele com a tesoura.
Sebastião entregou o carro e os menores fugiram no Siena dele. A Polícia Militar (PM) foi acionada e os adolescentes foram localizados com o veículo no bairro Palmares, em Ibirité, sendo apreendidos.

A ocorrência foi encerrada na Delegacia de Plantão de Betim. De dentro da cela, os menores conversaram com a reportagem. O de 16 anos contou que queria o carro da vítima para ficar rodando. Depois, admitiu que pretendia vender o veículo. “Eu queria o carro para ficar andando nele, por diversão”, disse o menor. O outro de 14 anos, que surpreendeu os policiais pelo porte franzino dele, e por aparentar ser uma criança de 9 anos, disse ter aceitado participar do roubo para conseguir dinheiro para pagar uma dívida com outro “menino”. “Peguei um dinheiro bom emprestado”, disse o garoto, sem maiores esclarecimentos. “Eu não pretendia furar o pescoço do motorista com a tesoura. É um trabalhador, um pai de família”, disse o de 16 anos, que negou usar drogas.

Crimes

Na madrugada de quarta-feira, três assaltantes se envolveram em um grave acidente com um veículo que tinham acabado de tomar de assalto de um motorista de aplicativo, na avenida Tereza Cristina, no bairro Betânia, na região Oeste de Belo Horizonte. Um dos suspeitos morreu preso às ferragens e outro foi internado sob escolta policial no Hospital de Pronto Socorro João 23. O terceiro fugiu em outro carro.

Na quarta-feira à noite, mais um motorista de aplicativo de transporte também foi vítima de assalto no bairro Tropical, em Contagem. O motorista, de 37 anos, foi abordado por três homens armados. O veículo foi localizado por PMs na rua das Flores, no bairro Madre Gertrudes, região Oeste da capital, no momento em que um suspeito de 18 anos estacionava o carro.

Medo

Diante de tantos assaltos, motoristas de aplicativos estão aterrorizados. Wagner Luiz Meireles Moreira, de 35, conta que trocou de aplicativo para não trabalhar mais com dinheiro e só cobra pelo cartão. “Infelizmente, a gente trabalha com medo. A gente fica muito vulnerável quando recebe pagamento em dinheiro, pois as pessoas só cadastram o e-mail no aplicativo e não têm qualquer outra forma de rastrear o passageiro. Com o cartão de crédito, as pessoas têm que colocar os seu dados lá. O outro aplicativo exige do motorista receber dinheiro e por isso eu troquei”, disse Wagner.

Mesmo trabalhando só com cartão de crédito, os motoristas estão sob ameaça, segundo Wagner, pois assaltantes tomam os veículos para cometer outros crimes. “Já aconteceu comigo de pessoas entrarem em boca de fumo para comprar drogas. Graças a Deus, nunca fui assaltado, devido a essa minha precaução de receber em dinheiro, mas muitos outros colegas já tiveram os carros levados ou usados para fazer entregas de drogas com bandidos no carro, ameaçando”, conta.

Segundo Wagner, não existe mais horário seguro. “Os assaltos acontecem durante o dia, à noite, em qualquer horário”, disse. Quando vai buscar um passageiro e percebe que o local não oferece segurança, ele conta que “puxa o carro” e vai embora. “Infelizmente, não dá para confiar. As autoridades não dão respaldo em nada. Não temos segurança. Trabalhamos totalmente com medo. As empresas também não oferecem segurança nenhuma. Se acontece alguma coisa, a gente fica no prejuízo. A única coisa que eles vão mandar é uma mensagem falando que lamentam. Amparo, respaldo, acolhimento jurídico ou qualquer outro apoio a gente não tem.

Outra dica de Wagner é observar a pontuação do passageiro, que também é avaliado pelo aplicativo. “Se for pontuação 5.0, a maioria dos motoristas não vai. São passageiros novos e a maioria dos assaltantes tem essa pontuação, principalmente se for pagamento em dinheiro”, explicou.

Outro procedimento de segurança, segundo ele, é evitar apanhar passageiros em bairros afastados. “Quando eu era do outro aplicativo e recebia dinheiro, eu normalmente rodava na Savassi e em outros bairros da região Centro-Sul. Quando eu adentrava nos bairros periféricos, eu desligava o aplicativo e voltava para a região Centro-Sul vazio, devido ao medo de ter algum assalto. Infelizmente, não estou generalizando, mas para minha própria segurança. São muitos assaltos em bairros mais distantes”, justifica.

A reportagem procurou a empresa Uber e ela ainda não se manifestou. Não foi possível contato com a 99 Pop.

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