Nesta quinta-feira, 1º de março, os promotores de justiça do Grupo de Atuações Especiais de Combate ao Crime Organizado – Gaeco, falaram pela primeira vez sobre a Operação Poseidon. A operação investiga contratos, desvio de verba e ainda de um seguro da obra.

Até agora seis pessoas foram presas, incluindo o ex-vereador David Tomaz e ex-diretores do Dmae, além de pessoas ligadas à Araguaia Engenharia. Segundo a denúncia do Ministério Público, o caso é de desvio de mais de R$ 8 milhões de obras que seriam feitas no Dmae. Três contratos são investigados.

A acusação principal é de peculato, desvio de dinheiro, porque teria uma associação criminosa no sentido de desviar recursos públicos do Dmae em benefício da Araguaia Engenharia. Segundo o promotor Daniel Marota, a Araguaia era contratada para realizar obras e ela deixou de executar os passos das mesmas e mesmo assim o Dmae continuou efetuando os pagamentos. “A sistemática deste crime se dava nos contratos de construção. A empresa faz a construção, a medição e apresenta um documento ao órgão público dizendo: eu construí tanto e está aqui a medição para comprovar. A Araguaia então passou a apresentar medições falsas, que não correspondiam à realidade. E os dirigentes do Dmae, mesmo cientes desta falsidade, aprovavam as medições e efetuavam o pagamento”, disse.

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Durante as investigações surgiu um novo fato, um suposto seguro no valor de R$ 90 milhões que poderia ter sido acionado por conta de problemas nas obras investigadas. A pergunta feita pelo promotor é: se este seguro existe, por que ele não foi utilizado mesmo com uma auditoria mostrando que havia problemas na execução das obras do Dmae?

“Nós temos os indícios colhidos pela prova testemunhal de que esse fato era de conhecimento de todos os denunciados. Os da Araguaia, não há dúvida nenhuma que eles é quem apresentavam as medições falsas. O Manoel Calhau e o Carlos Lamonier também não, porque eram as pessoas responsáveis pela fiscalização. E o Epaminondas e o David Tomaz com cargos de chefia dentro da instituição, a palavra final era deles. E o próprio Daniel da Araguaia afirma que esse apoio institucional partiu como ordem da direção.”

“Há uma notícia que foi trazida aos autos, que não era de conhecimento do Ministério Público, que havia um seguro para essa obra. Porque se havia o seguro e ele fosse acionado, com certeza essas obras estariam hoje encerradas. A informação do Epaminondas é que havia um seguro de R$ 90 milhões. O Manoel Calhau também afirmou a existência desse seguro. Então nós temos uma nova apuração que é decorrente dessa de saber: havia seguro? sim. Por que não foi acionado?”

Informações de Vinícius Lemos


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