Um garotinho de apenas 6 anos de idade se armou com uma faca e jurou vingança depois que dois homens arrombaram a casa onde morava e executaram a mãe dele com onze golpes de espeto de churrasco e tiros, todos na região do pescoço.

O crime foi por volta das 23h50 de segunda-feira, na Alameda Trinca-ferro, no bairro Jardim Colonial, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte.

Antes de ser atacada, a vítima, Elizabeth Diniz Rocha Alves, de 30 anos, gritou para o filho correr para não ser morto também e ele buscou proteção na casa de uma vizinha.

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Trauma

Segundo a vizinha, que pediu para não ser identificada, o garoto está traumatizado e, apesar da pouca idade, demonstrou revolta e sede de vingança. “A criança ficou muito agitada. Chorou bastante e estava até com uma faquinha na mão repetindo que iria matar os homens que mataram a mãe dele”, comentou a vizinha.

A Polícia Militar (PM) foi acionada e encontrou Elizabeth já morta, no barracão de dois cômodos onde ela vivia com o filho, em meio a uma poça de sangue.

Arma branca

De acordo com a perícia, os criminosos usaram uma arma branca pontiaguda, possivelmente um espeto de churrasco, que não foi encontrado no local. Ela também levou tiros. Os golpes foram dados no pescoço da vítima e havia uma perfuração no peito.

A vizinha conta que o garotinho chegou à casa dela aos prantos, dizendo que dois homens estavam matando a mãe dele. A reação da mulher foi puxar a criança para dentro de casa e trancar a porta, com medo que os homens fossem atrás do menor. “O menino chegou aqui correndo, falando assim: ‘matou a minha mãe, matou a minha mãe’. Ele entrou e eu fechei a porta e não vi mais nada. Escutei dois tiros”, contou a vizinha.

“O menino subiu correndo, falando que mataram a mãe dele. Eu abri a porta e ele entrou . Eu simplesmente socorri o menino. É uma criança, né? Fiquei com medo e tranquei a porta. O menino chorava muito e ficava falando o tempo todo que estavam matando a mãe dele. No momento, eu não saí de casa. Fiquei quietinha, trancada, com os meus dois filhos e a criança da vizinha”, conta a mulher.

Poucas testemunhas

Segundo ela, como já era tarde da noite ninguém da rua presenciou nada. “Os vizinhos estavam todos deitados. Ninguém viu ninguém”, reforçou.

A vizinha conta que conhecia Elizabeth há pouco tempo. O casal e a criança foram morar no bairro há pouco mais de três meses, segundo ela. Elizabeth também tinha duas meninas, que estavam ficando na casa de uma madrinha delas. Ainda de acordo com a vizinha, o marido de Elizabeth, Walmir Donizzeti da Silva Júnior, foi preso há alguns dias e levado para o Ceresp Gameleira.

O homem, segundo a PM, tem uma longa ficha criminal por roubo a mão armada, receptação, formação de quadrilha, tráfico e uso de drogas, entre outros crimes. Já Elizabeth não tinha antecedentes criminais.

Arrombamento

De acordo com a PM, a casa da vítima foi arrombada. A sogra da vítima compareceu ao local e confirmou que o filho dela está preso há alguns dias.

A sogra também contou à PM que o casal constantemente trocava de endereço e que havia morado pela última vez no bairro Fortaleza, na região de Justinópolis,

A sogra disse ter visitado o casal poucas vezes, no novo endereço, e que ninguém relatou problemas com a vizinhança ou se estavam recebendo ameaças. Depois do crime, a avó ficou com a guarda do neto.

O corpo de Elizabeth foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) e a Polícia Civil informou que está apurando a autoria e motivação do homicídio.


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