No trajeto da produção da gasolina até o tanque do seu veículo nos postos, o combustível fica 174% mais caro, conforme levantamento divulgado na segunda-feira (5) pelo site Mercado Mineiro. No último dia 3, a Petrobras vendia o litro da gasolina A por R$ 1,594. Só que, nos postos, o litro custa, em média R$ 4,365 em Belo Horizonte.

Conforme informações do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), em torno de 75 variáveis distintas podem influenciar no preço final do combustível, dentre eles carga tributária, custos com frete, preço para aquisição do combustível praticado pela distribuidora, encargos trabalhistas e previdenciários e demais elementos que compõem a folha de pagamentos de pessoal, entre outros, além do preço do etanol anidro, que é misturado à gasolina.

O maior peso, conforme a entidade que representa os postos, é dos tributos estaduais e federais, que chegam a representar 48% do valor da gasolina. Segundo o Minaspetro, Minas Gerais é o segundo Estado que mais tributa a gasolina no Brasil, perdendo apenas para o Rio de Janeiro.

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Em fevereiro deste ano, o governo do Estado subiu o valor de referência sobre o qual incide o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS). Com isso, aumentou o valor fixo do tributo recolhido por litro de combustível. Nem foi o primeiro aumento do ICMS nos combustíveis em 2018, já que, no primeiro dia deste ano, a alíquota do ICMS passou de 29% para 31%. Também houve uma alteração no valor de referência, que já havia sido definido em dezembro de 2017 e passou a vigorar em 1º de janeiro.

Alta. Ainda segundo o levantamento do Mercado Mineiro, a gasolina comum teve alta de 0,85% na comparação com os preços médios praticados entre os dias 26 de janeiro e 3 de março em Belo Horizonte. O valor saltou de R$ 4,328 para atualmente R$ 4,365.

A coordenadora de pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead), Thaize Martins, ressalta que o preço da gasolina comum é a vilã da inflação na capital neste ano. Segundo cálculos da fundação, em janeiro, a alta foi de 5,72%. Em fevereiro, a variação foi de 1,88%.

Etanol cai um pouco, mas não compensa

O preço médio do etanol caiu em algumas cidades da região metropolitana, conforme levantamento do site Mercado Mineiro. Em Contagem, o recuo foi de 0,85% no intervalo de 26 de janeiro e 3 de março. O valor médio do litro do combustível passou de R$ 3,173 para R$ 3,146.

Na vizinha Betim, o recuo foi de 0,53%. O preço médio era de R$ 3,179 e passou para R$ 3,162. Em Belo Horizonte, na região Oeste, a redução foi de 0,56%. O preço médio do litro, que era de R$ 3,218 no fim janeiro, passou para R$ 3,200.

Apesar da retração no valor médio cobrado, ainda não vale a pena abastecer com o etanol, conforme o levantamento. Para que o combustível derivado da cana seja viável, ele deve ser encontrado abaixo de R$ 3,05, pelo cálculo de 70% do valor do litro da gasolina, que é de R$ 4,365. Hoje, o preço do etanol corresponde a 73% do valor médio da gasolina.

Considerando os 154 postos pesquisados pelo Mercado Mineiro em Belo Horizonte e região Metropolitana, o preço médio do etanol subiu 0,25%. Em nível nacional, o combustível derivado de cana ficou mais caro em 14 Estados e no Distrito Federal na semana passada, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Fevereiro foi de deflação na capital

Belo Horizonte registrou deflação no mês passado, segundo levantamento da Fundação Ipead. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve queda de 0,44%, quase igual à variação negativa do mesmo mês do ano passado (-0.43%). “Existe um efeito estatístico, já que em janeiro ocorrem vários reajustes”, observa a coordenadora de pesquisa da fundação, Thaize Martins.

Em janeiro o índice, que calcula os gastos das famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, teve alta de 1,70% na capital. No ano, a inflação em Belo Horizonte é de 1,25%, menor que a verificada em igual período de 2017 (1,75%).

Fonte: O TEMPO


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