O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS), pretende usar a verba do BNDES destinada às capitais para reforçar a Guarda Municipal. A linha de crédito foi anunciada na semana passada pelo presidente Michel Temer (MDB). Dos R$ 42 bilhões para a segurança pública, R$ 32 bilhões deverão ser liberados para os Estados e R$ 10 bilhões, para as capitais.

Nessa quarta-feira (7) Kalil e outros prefeitos se reuniram com o presidente, em Brasília, para tratar do assunto. Após sair da reunião, o prefeito disse que ainda não tinha detalhes sobre os valores do repasse para Belo Horizonte. “Foi mais um encontro para recebermos a notícia sobre a verba. Não temos nada definido quanto a valor, data, prazo. O que sabemos é que todo o processo depende do BNDES e estamos no aguardo”, afirmou.

O prefeito disse que vai aplicar a verba na Guarda Municipal, mas que apenas será possível apresentar um projeto após o valor do repasse ser definido. “É um dinheiro que vai ser utilizado para garantir melhorias. Vamos investir em tecnologia no Centro de Operações Especiais (Cope), bem como no treinamento dos agentes, na compra de armas e, principalmente, na instalação de câmeras de vigilância”, disse por telefone.

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O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou nessa quarta-feira (7) que, no próximo dia 15, haverá uma reunião com os secretários de segurança e que, no dia 21, ficou acertada nova reunião com os prefeitos das capitais para dar sequência ao encontro dessa quarta.

Mais atuação. Durante a reunião, no Palácio do Planalto, Temer cobrou dos prefeitos maior atuação das guardas municipais no combate à violência. O presidente defendeu uma função mais efetiva e participativa na segurança de praças e escolas públicas. Pediu, ainda, que os gestores municipais se reúnam com os comandos das guardas municipais para orientar uma maior mobilização em atividades de segurança.

Temer também solicitou aos prefeitos que promovam encontros com comandos policiais e com entidades civis para pedir apoio em atividades para reduzir a insegurança. “O objetivo é pautar a segurança pública como um dos temas fundamentais para o país”, disse.

A reunião dessa quarta-feira faz parte de esforço do presidente em tornar o tema da segurança pública uma das vitrines eleitorais de seu mandato. Apesar de negar publicamente, o presidente tenta viabilizar uma candidatura à reeleição caso seus índices de rejeição caiam até maio.

Críticas. Especialistas em segurança pública ouvidos pela reportagem criticaram o uso prioritário da verba para o reforço do policiamento. Segundo o coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos (Nesp) da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), o sociólogo Robson Sávio Reis Souza, a prevenção ainda é o melhor caminho. “A segurança pública é de responsabilidade do Estado. Às prefeituras, cabe o apoio – completamente importante – de atuar com ações preventivas exatamente para evitar o surgimento da violência”, aponta o especialista.

A socióloga Ludmila Mendonça, membro do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), concorda. “Investir na educação das crianças e adolescentes seria mais efetivo pela ótica social, na formação de cidadão e na economia de gastos que a violência produz”, afirma.


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