Cruzeiro foi campeão mineiro em 1994: com 22 gols, Ronaldo conquistou a artilharia do certame Fonte: Jorge Gontijo/Arquivo Estado de Minas

Adversários de domingo, às 17h, pela 11ª rodada da primeira fase do Campeonato Mineiro, Cruzeiro e Patrocinense já se enfrentaram em outras ocasiões. Em oito duelos, o time celeste jamais foi derrotado: ganhou seis e empatou dois, com 10 gols marcados e dois sofridos. O nono encontro será realizado no Estádio Pedro Alves do Nascimento, em Patrocínio, município de 90 mil habitantes localizado na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a 390 quilômetros de Belo Horizonte.

O último embate entre Cruzeiro e Patrocinense, ocorrido há quase 24 anos, foi o mais marcante. Em 15 de maio de 1994, a Raposa ganhou por 1 a 0, no Mineirão, e deu a volta olímpica diante de sua torcida em virtude da conquista do Estadual – garantida matematicamente na rodada anterior com triunfo por 5 a 3 sobre a Caldense, em Poços de Caldas. O Gigante da Pampulha recebeu um público de 23.170 torcedores, para uma renda de CR$ 68.548.500,00 (cruzeiros).

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O autor do gol cruzeirense foi ninguém menos que Ronaldo Fenômeno, em finalização de cabeça aos 8min do primeiro tempo, depois de cruzamento na medida do lateral-direito Paulo Roberto. Ele, contudo, acabou expulso da partida. O atacante conatibilizou 22 tentos na competição (disputou 18 partidas) e assegurou sua primeira artilharia na carreira.

O jogo contra o Patrocinense foi um dos últimos momentos do camisa 9 pelo Cruzeiro. Quanto ao gol, o penúltimo dos 56 anotados em 58 partidas.

Ronaldo, à época com 17 anos, já fazia parte das convocações do então técnico da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira. Onze dias antes de deixar sua marca diante do CAP, o garoto fez seu primeiro gol vestindo a amarelinha, na goleada por 3 a 0 sobre a Islândia, em amistoso realizado no Estádio da Ressacada, em Florianópolis (SC). Curiosamente, ele usou a camisa de número 7, enquanto Viola ficou com a 9.

Em junho de 1994, Ronaldo seguiu com a Seleção Brasileira para os Estados Unidos. Era o camisa 20 da delegação tetracampeã mundial, mas não entrou em uma partida sequer. No retorno a Belo Horizonte, a despedida: o camisa 9 anotou o gol do Cruzeiro no empate por 1 a 1 com o Botafogo, em amistoso disputado no dia 7 de agosto, no Mineirão. No intervalo, deu lugar ao volante Ricardinho. Era o adeus. Um mês de completar 18 anos, Ronaldo foi vendido ao PSV Eindhoven, da Holanda, por US$ 6 milhões líquidos. O valor total da operação financeira, conforme revelado na ocasião pelo presidente César Masci, foi de US$ 8 milhões.

A partir dali, o mundo conheceu o Fenômeno, que se tornou ídolo não apenas do clube holandês, mas também de Barcelona, Inter de Milão, Real Madrid e Seleção Brasileira. Em 2010, Ronaldo encerrou a carreira pelo Corinthians. Coincidentemente, o último de seus 487 gols foi anotado justamente sobre o Cruzeiro, na vitória de seu derradeiro clube por 1 a 0, pela 35ª rodada da Série A.

Reencontro

Campeão mineiro de 1994 de maneira invicta – 17 vitórias e cinco empates –, o Cruzeiro ajudou a rebaixar o Patrocinense (11º lugar, com quatro vitórias, cinco empates e 13 derrotas), que, por sua vez, só regressou à elite do Estadual em 2018. No intervalo de mais de duas décadas, o CAP perambulou entre o Módulo II e a Segunda Divisão, além de ficar por nove anos licenciado do futebol profissional (2006 a 2015).

Com as contas ajustadas em 2016, o Patrocinense se inscreveu para disputar a Segunda Divisão Mineira e conseguiu o acesso ao Módulo II ao lado de Tupynambás e Betinense. Em 2017, a equipe de Patrocínio levantou o troféu do segundo escalão do futebol mineiro. Já na temporada 2018, luta simultaneamente pela classificação às quartas de final e contra a possibilidade de rebaixamento (está em 7º, com 12 pontos, dois a mais que a penúltima Caldense).

O palco do reencontro entre Cruzeiro e Patrocinense será o Estádio Pedro Alves do Nascimento, que passou por reforma ao custo de R$ 3 milhões e ganhou arquibancadas com capacidade para até 7 mil espectadores. As instalações ocupam apenas uma das laterais do campo e vão até a parte de trás de cada um dos gols.

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