Um casal de Araguari, no Triângulo Mineiro, busca explicações para a morte da filha durante o parto na Santa Casa de Misericórdia da cidade nesta semana. No procedimento, o bebê, que receberia o nome de Alice e estava com seis meses, teve a cabeça separada do corpo.

Para tentar achar alguma resposta e iniciar uma investigação, o pai da menina, um jovem de 23 anos, registrou um boletim de ocorrência na Polícia Militar. No documento, ele afirmou que, na madrugada de segunda-feira, a companheira, de 24, sentiu dores na barriga e, ao urinar, percebeu sangue no papel higiênico. Eles seguiram para uma clínica particular, onde foram informados pela médica que a gestante estava em trabalho de parto. A profissional deu o encaminhamento para a Santa Casa.

Na instituição, o pai pediu que fosse realizada uma cesárea, mas o médico optou pelo parto normal. Ainda conforme o pai, na sala de parto estavam, além do obstetra, uma enfermeira e alguns estagiários. A equipe médica teria aplicado uma injeção na gestante para acelerar as contrações. Até então, a mãe estava sentindo o bebê mexer, segundo ele. Porém, em uma hora, outras injeções foram aplicadas em intervalos de 20 minutos, e o médico pediu para que ela fizesse força.

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Após realizar o toque e a bolsa estourar, o médico avistou os pezinhos do bebê, que estavam roxos e já fora do corpo da mãe. Nesse momento, ainda conforme o registro policial, o obstetra puxou a menina, que saiu sem a cabeça. A mulher foi encaminhada para outra sala de cirurgia, onde foi feita a cesariana para retirada da cabeça.

Conforme a instituição, Alice já nasceu morta. O sepultamento ocorreu no mesmo dia.

Revolta

Abalado, o pai da criança não quis conversar com a imprensa. Já um tio, sob anonimato, alega que o bebê estava vivo. “Me contaram que o bebê estava sentado. O ideal seria fazer uma cesárea, segundo a médica, mas ele puxou o bebê pelos pés. Falar que ela estava morta é uma mentira deslavada. Estava tudo bem com a gestação e, agora, eles querem empurrar essa história. É um absurdo”, disse. (com Mariana Nogueira)

Posicionamento da Santa Casa

Por meio de nota, a Santa Casa informou que a gestante deu entrada na última segunda-feira, por volta das 9h15, com 25 semanas e cinco dias, em trabalho de parto prematuro. Devido à gravidade do caso, não foi possível realizar uma cesárea, uma vez que a paciente “estava com dilatação total e localização baixa do feto”. Segundo o comunicado, durante o procedimento, houve o óbito fetal, que “embora indesejável, é provável nestas condições”. Conforme o hospital, durante manobras para a retirada do feto, ocorreu a “cabeça derradeira”, quando a cabeça fica presa na vagina da mãe, e, nesse momento, foi necessária a cesariana.

A instituição se solidarizou com a família e amigos do casal e afirmou que, através da direção clínica, nomeou uma comissão para avaliar os acontecimentos. A reportagem de O TEMPO  questionou o hospital quantos profissionais estavam na sala no momento do atendimento, mas não obteve retorno.
Procurado, o médico responsável pelo parto se limitou a dizer que ocorreu um aborto de 25 semanas. Ao ser indagado sobre detalhes do atendimento, o profissional desligou o telefone. A Secretária de Saúde de Araguari também foi procurada, mas não atendeu as ligações.

Polícia Civil e CRM

A Polícia Civil informou que um inquérito será aberto para apurar o caso registrado na última segunda. Há outro fato semelhante em investigação, ocorrido em outubro. Veja aqui.

O Conselho Regional de Medicina (CRM) de Minas Gerais informou, por meio de nota, que uma sindicância será aberta para apurar os fatos da última segunda-feira.

Em relação ao parto de outubro do ano passado, da dona de casa Tânia Silva, o conselho afirmou que o caso já é apurado também por meio de sindicância já instaurada na época. O prazo para conclusão das sindicâncias pode variar de 90 a 180 dias, podendo ser prorrogado se necessário.


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