Minas Gerais caminha para alcançar ou ultrapassar a marca de febre amarela do ano passado, quando houve o maior surto da história. De acordo com o último boletim da Secretaria de Estado de Saúde (SES), divulgado na terça-feira (13), já são 365 casos confirmados e 133 mortes de julho do ano passado até esta terça. Os números mostram que a doença segue em ritmo mais acelerado, já que supera o registrado no período anterior de monitoramento (julho de 2016 a 14 de março de 2017): 310 ocorrências comprovadas e 110 óbitos.

Da semana passada para esta, houve um aumento de 25 mortes no balanço da SES, o que só reforça a posição de Minas como o Estado com o maior número de vítimas da febre amarela do Brasil. Em oito meses (julho de 2017 a março deste ano), Minas já alcançou em 82% o número de óbitos ocorridos em um ano – julho de 2016 a julho 2017 –, período de monitoramento que registrou o maior surto da doença no território mineiro.

A SES atribui o atual ritmo de contaminação a dois fatores. “O primeiro é que a região atualmente acometida concentra a maior densidade populacional do Estado, principalmente onde o surto começou, que foi na região metropolitana de Belo Horizonte”, avaliou o órgão em nota. No surto de 2017, a maioria dos registros ocorreu nas regiões do Rio Doce, Zona da Mata e Vales do Aço e Mucuri. Agora, só na área epidemiológica que abrange a capital e 17 municípios do entorno, foram 105 casos confirmados e 37 mortes.

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“O número de pessoas vacinadas aumentou do ano passado para cá no Estado, mas nem assim conseguimos a contenção. Se não houver uma vacinação maciça, que se antecipe a circulação do vírus, a doença vai continuar se deslocando para outros lugares”, ressaltou o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estevão Urbano Silva.

Diagnóstico. Outro fator, segundo a SES, é a estratégia adotada para dar mais agilidade aos diagnósticos da doença. “A divulgação de resultados mais céleres faz com que os casos sejam mais prontamente descartados ou confirmados, o que não aconteceu no surto anterior”, explicou a secretaria.

Um exemplo é que, em março do ano passado, havia 723 casos e 81 óbitos em investigação, ao passo que, atualmente, faltam checar 610 e 20, respectivamente.

Mariana, na região Central, continua sendo a cidade com mais casos confirmados: 32. Destes, sete pessoas morreram. Juiz de Fora, na Zona da Mata, está em segundo lugar, com 23 internações ou curas e seis mortes. Nova Lima, na região metropolitana, vem em terceiro, com 20 e oito, na mesma ordem.

 

Minas é o 5º em dengue e chikungunya

Quando a proliferação da doença se dá por meio da picada de um mosquito, Minas está entre os Estados com mais casos de contaminação. Além da febre amarela, os índices de dengue e febre chikungunya estão entre os mais elevados do Brasil. Ambas transmitidas pelo Aedes Aegypti, a primeira já teve 7.261 casos prováveis no Estado, e a outra, 1.590 ocorrências neste ano, conforme balanço divulgado na segunda-feira (12) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Se analisado o último boletim do Ministério da Saúde, de 19 de fevereiro, Minas era o quinto Estado com maior incidência de dengue e chikungunya por 100 mil habitantes. Segundo a SES, apesar disso, os dados deste ano não são alarmantes. Em 2016, ano com o maior número de notificações investigadas de dengue, nos dois primeiros meses do ano, Minas registrou 195.091 casos prováveis. Em todo o ano passado, foram 16.128 de chikungunya.

Ações de prevenção da doença

Alerta. A vacinação é a principal forma de prevenir a febre amarela. Atualmente, a cobertura vacinal em Minas é de 90% – quase 2 milhões de pessoas não se imunizaram.

Reforço. O Ministério da Saúde informou que os estoques da vacina foram reforçados nas áreas atingidas. Para Minas, foram enviados 2,3 milhões de doses neste ano, segundo o órgão federal. No ano passado, foram 9,7 milhões de doses.

Surto. O ministério ressaltou ainda que, em 2017, enviou equipes de vigilância e profissionais da Força Nacional do SUS para auxiliar o Estado no monitoramento da doença. Neste ano, a União prevê um gasto de R$ 1,9 bilhão no combate ao surto.


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