Enquanto você lê esta matéria, diversas pessoas no Brasil – e pode ser que até você mesmo – sofrem com a falta de coleta de esgoto. De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), em todo o país, apenas 51,9% dos indivíduos têm acesso a esse tipo de serviço, levando em consideração a rede pública e excluindo-se as soluções individuais ou alternativas. Em Minas Gerais, o índice é de 71,9%.

Outros números também evidenciam essa realidade. O índice de esgoto tratado no país é de 44,9%, enquanto em Minas é de 35,8%. Já 83,3% dos brasileiros e 82,3% dos mineiros têm acesso à água tratada. Mas, afinal, o que esse cenário representa?

Conforme ressalta Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil, a falta de saneamento não prejudica somente aqueles que convivem com esgotos a céu aberto diariamente, mas a cidade como um todo. O que acaba acontecendo é uma verdadeira reação em cadeia. “A água poluída é um poderoso transmissor de doenças. As crianças, por exemplo, ao ficarem doentes, se afastam da escola, perdem dias de aula. Há atraso na educação. Também podemos citar a baixa valorização dos imóveis – o custo recai sobre o patrimônio das famílias, e a prefeitura arrecada menos”, destaca ele.

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Outro fator negativo em relação ao assunto diz respeito ao impacto prejudicial no turismo, como frisa o profissional. “Praias poluídas, rios poluídos… tudo isso afasta os turistas”, diz Carlos.

Esse quadro, segundo ele, tem origem em diversos fatores. Um deles está relacionado ao crescimento das cidades, que foram se estabelecendo sem as redes de coleta e o tratamento de esgoto. “Foi investido bastante em água, mas menos em esgotamento sanitário”, comenta.

Informações. Os problemas gerados pela falta de saneamento básico, muitas vezes, são, ainda, intensificados por causa da falta de informação. Conforme ressalta o profissional, é comum ver muitas crianças brincando com a água dos esgotos. Mesmo sendo “socorridas”, como não há uma mudança em relação a isso, elas acabam adoecendo novamente.

Dessa forma, de acordo com ele, a saída deve ser a mobilização de todos em diferentes frentes, em busca de melhorias para a população. “As pessoas gostam muito de frisar a saúde. Os hospitais são muito importantes quando se está doente, mas o ideal é que ninguém chegue a esse ponto”, ressalta.

Crianças são mais afetadas

É de grande conhecimento que a falta de saneamento básico pode gerar diversas doenças. Mas quais são elas? De acordo com o médico Marcelo Pereira, da Clínica Bella Derme, algumas delas são as verminoses e a hepatite, principalmente a do tipo A. As crianças, em geral, são as mais afetadas, e, dependendo do estado nutricional delas, a hepatite pode levar à morte. A esquistossomose – ou xistose – pode ser também uma doença oriunda da falta de saneamento básico. Há também a ascaridíase – a famosa lombriga.

Conforme ressalta Pereira, muitas doenças podem se tornar crônicas. “A xistose pode acontecer na infância e, se não for tratada, ela pode se tornar crônica e levar a grandes prejuízos”, diz o médico. A teníase, infecção intestinal pela tênia, por sua vez, pode ocasionar outros males também, incluindo problemas neurológicos.


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