Apesar da previsão de licitação nas próximas semanas, as três obras de contenção de chuva anunciadas pela Prefeitura de Belo Horizonte não têm data para começar e vão levar, no mínimo, cerca de um ano e meio para serem concluídas. A mais complexa delas, que prevê a otimização do sistema de macrodrenagem das bacias dos ribeirões da Pampulha e do Onça e a redução de enchentes nas avenidas Cristiano Machado e Bernardo Vasconcelos, pode ficar pronta em 2022 se tudo der certo e a ordem de serviço for assinada neste ano. Para especialistas, não tem outro jeito: é necessário investir em obras de médio e longo prazos para enfrentar a chuva na cidade, altamente urbanizada e com poucos canais de escoamento da água.

As outras obras abrangem a implantação de uma bacia de detenção e tratamento de fundo de vale do córrego do Nado, para a redução de enchentes nos bairros São João Batista e Santa Mônica, em Venda Nova, e a instalação de uma bacia de detenção no Bairro das Indústrias, no Barreiro, o que vai minimizar os alagamentos na avenida Tereza Cristina. As intervenções têm um prazo de execução de 540 dias, mas o início depende do andamento da licitação – as duas chegaram a ser licitadas no ano passado, mas foram suspensas.

Segundo o professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Recursos Hidráulicos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Nilo Nascimento, uma solução, diante do alto nível de ocupação em muitas partes da cidade, é a implantação de bacias de detenção subterrâneas. “É preciso criar estruturas de armazenamento e evitar transferir o problema para a jusante, para o Arrudas, por exemplo”, afirmou. “É preciso preocupar-se também com o grande volume de água que não atinge o curso d’água e circula pelas vias e investir em microdrenagem, que são as pequenas canalizações, as bocas de lobo”, explica.

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Para Nascimento, é importante “aproveitar” a transformação urbana, como a substituição de casas por prédios, para implantar soluções que minimizem a impermeabilização, como áreas verdes e jardins. “Isso não vai resolver, mas contribui para não agravar as grandes inundações”, diz.

Segundo a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, as três obras têm recursos garantidos do PAC 2. A pasta informou que a prefeitura mobiliza recursos para a solução do problemas de inundações nessas regiões há anos e ressaltou que, “além dos expressivos investimentos em obras”, desenvolve ações permanentes de redução de riscos de enchentes.

Resposta

Obras. A pasta afirmou que o esforço da PBH envolve trabalhos de todos os órgãos, como a limpeza de bocas de lobo e de fundos de vales de córregos, a contenção de encostas e a emissão de alertas.

 

Mês de março é o mais chuvoso em 57 anos

O mês de março deste ano é o mais chuvoso dos últimos 57 anos, desde 1961, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em março daquele ano, choveu 384,6 mm, enquanto em 2018, até sexta-feira (23), foram 389,3 mm. Em todas as regionais da capital, as precipitações superaram a média histórica, conforme a Defesa Civil.

“A gente deveria ter adotado no passado, na fundação da cidade, um conceito de não ocupar fundos de vale, de construir parques lineares e de não ocupar áreas de muita declividade, mas isso não foi feito. E ainda há bastante resistência de alguns setores no sentido de adotar medidas que minimizem os efeitos da impermeabilização”, diz.

Segundo Nascimento, chuvas intensas e localizadas, como as que ocorreram nos últimos dias, poderiam causar inundações mesmo após a conclusão de obras, mas isso ocorreria com menos frequência. “A expectativa é que isso aconteça com menor intensidade, menor risco às pessoas e menos danos materiais. O sistema pode falhar às vezes, mas não podemos conviver com falhas que ocorrem a cada dois anos, cinco anos”, afirma. De acordo com ele, a previsão e o alerta da Defesa Civil são importantes desde que combinados com medidas estruturais. (Natália Oliveira/ RM)

Saiba mais

Emergência. A Prefeitura de Belo Horizonte decretou, no último dia 20, situação de emergência na capital em decorrência dos impactos provocados pela chuva. O objetivo é reivindicar ao Ministério da Integração recursos para a realização de obras de reconstrução na cidade.

Cachoeirinha. A prioridade da prefeitura é conseguir recursos na ordem de R$ 120 milhões junto ao governo federal para obras no córrego Cachoeirinha, as quais visam reduzir os constantes alagamentos na avenida Bernardo Vasconcelos, situada na região Nordeste da capital. O projeto está pronto, segundo a PBH.

Previstos. Para este ano, há previsão de conclusão de projeto de saneamento dos brejos Quaresma e Joaquim Pereira, na região de Venda Nova, de licitação para a contratação de diagnóstico da bacia do Vilarinho e de elaboração de estudos de micro e macrodrenagem. Após a conclusão dos projetos, a Prefeitura de Belo Horizonte vai captar recursos para a execução das intervenções. 


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