Vinte anos após se destacar no crime organizado em Minas Gerais, Marcelo Cristian Barbosa, 41, conhecido como “Marcelão”, foi finalmente preso pela Polícia Civil. Considerado pela corporação um dos criminosos mais perigosos do Estado, Marcelão também é apontado como o líder do tráfico no Aglomerado Sumaré, na região Noroeste da capital, e estava foragido desde 2016. Ele foi preso na última quinta-feira após ter seu nome ligado aos ataques a ônibus ocorridos na avenida Carlos Luz, no bairro Caiçara, região Noroeste da capital, no dia 9 de março.

A Polícia Civil informou em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (27) que Marcelão possui uma ficha extensa com passagens por crimes como tráfico internacional de drogas, porte ilegal de arma de fogo, homicídios e sequestro seguido de morte. Ele foi preso no bairro Kennedy em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte e, segundo a corporação, não resistiu a prisão. “As nossas centrais de inteligência identificaram sua localização. Ele não reagiu, foi uma prisão bastante pontual. Ele estava fora da residência. Ele alega que estava exercendo uma atividade laboral, mas essa atividade vai ser comprovada ou não. De qualquer forma, ele tinha uma ordem de prisão expedida em seu favor, tinha ciência dessa ordem de prisão e estava foragido”, explicou o delegado Murilo Ribeiro de Lima, da 4ª Delegacia Noroeste, que está a frente do caso.

A ficha extensa de Marcelão, segundo o delegado, começa em 1998, quando ele foi detido por tráfico de drogas. Em 2001, cumprindo mandado e internado sob escolta no Hospital Belo Horizonte, no bairro Cachoeirinha, na região Nordeste da capital, foi “resgatado” por comparsas e fugiu. Ele reapareceu dois anos depois, em 2003, acusado de ser o mandante de um sequestro que chocou o país. Fabrício Martins Prado, à época com 21 anos, e Reginaldo Martins Prado Júnior, então com 24 anos, filhos de um ex-prefeito de Guanambi, no interior da Bahia, foram sequestrados em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, onde moravam para estudar. Marcelão ainda é acusado de ser o autor da morte do mais velho, que morreu com dois tiros no peito.

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Após o crime, o nome de Marcelão ressurgiu apenas nove anos depois, quando, em 2012, uma carreta foi apreendida com 210 kg de maconha e 50 kg de cocaína na MG-424, em São José da Lapa, na Grande BH. A carga, que seguia para o Aglomerado Sumaré, pertencia à Marcelão que, à época, vivia no Paraguai mas continuava coordenando o tráfico na região. Em 2014, o narcotraficante foi preso preventivamente, dessa vez indiciado pelo sequestro seguido de morte dos filhos do prefeito baiano. Em 2015, contudo, segundo a Polícia Civil, ele saiu da prisão com o benefício de regime semiaberto. Em 2016, um novo mandado de prisão preventiva por tráfico de drogas foi expedido e, desde então, Marcelão estava foragido da Justiça.

Embora já esteja preso, Marcelão não foi apresentado à imprensa em entrevista coletiva nesta terça-feira. Segundo o delegado Murilo Ribeiro, a decisão foi tomada devido a alta periculosidade do suspeito e seu histórico de fugas. “Nós sabemos que a criminalidade organizada conta com uma estrutura interna que depende da expedição das ordens do tráfico de drogas e, por essa razão, a PC não descarta a participação dele na coordenação desses crimes. Ele já teve uma ocorrência em 2001, que ele foi resgatado mesmo com escolta policial, então é um indivíduo que apresenta uma periculosidade a ser considerada”, afirmou.

Para o delegado, investigações apontam que Marcelão seria vendedor e distribuidor de drogas em Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e, até mesmo, países que fazem fronteira com o Brasil, como o Paraguai. “Ele sempre esteve envolvido, segundo as apurações, com crimes bastante graves e com uma articulação muito grande dentro e fora do Estado. As próprias ações de sequestro e distribuição de drogas evidenciam que é um indivíduo muito bem relacionado no crime e conseguiu inclusive passar um bom tempo foragido sem chamar a atenção da Justiça. É um indivíduo a ser considerado um dos maiores criminosos do Estado”, afirmou.


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