Um dia após reportagem com denúncias de que o português teria atuado como médico em Contagem sem ter diploma, ele se defende e diz que está sendo acusado injustamente e que só trabalhou em cargo administrativo no Brasil, onde vive há oito anos.

O senhor é médico?

Nunca exerci a profissão de médico no Brasil. Sou gestor de governo, tenho diploma de gestão e administração devidamente regularizado e registrado em cartório. A única profissão que exerci no Brasil foi a de gestor.

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O senhor é formado em medicina em Portugal?

Formei em enfermagem e em direito, tenho todos meus certificados e posso comprovar. Eu nunca atuei como médico ou me declarei como médico. Estou aqui para ajudar e trabalhar com um aparelho de eletromedicina que trouxe da Europa. Já atendi mais de 20 mil pessoas. Não tem uma única pessoa que eu tenha ajudado que esteja contra mim.

Que aparelho é esse? Ele pode ser usado por quem não é médico?

É um aparelho que trabalha com correntes eletromagnéticas, como se fosse uma fisioterapia. Ele foi criado por um médico cientista alemão, eu transformei o software em dados fantásticos. Eu pus quatro cadeirantes andando, como uma senhora do bairro Praia, em Contagem, que estava há dois anos em cadeira de rodas e agora caminha. Não precisa ser médico para usar esse aparelho. Você mesma pode usar, não tem efeito colateral nenhum.

Há denúncia de que o senhor atendeu pacientes e prescreveu medicamentos em uma ONG e na Secretaria Municipal de Saúde de Contagem na administração passada. Isso é verdade?

É mentira. Na Secretaria de Saúde de Contagem não tem consultório médico. É um trabalho meramente burocrático e administrativo. Não tenho também passagem como médico em outro local.

Nas redes sociais, há fotos do senhor de jaleco e estetoscópio.

Qualquer pessoa pode usar jaleco. Um técnico em enfermagem usa estetoscópio. Isso não configura atuação médica.

Pessoas nas redes sociais também chamam o senhor de “doutor”. Por quê?

As pessoas tinham a consciência que eu não atuava como médico. Posso apresentar 20 mil testemunhas. Nunca disse ‘sou o doutor Francisco, médico’. Disse: ‘Tenho esse aparelho e estou aqui como voluntário para ajudar a aliviar dores’.

Então o senhor nunca prescreveu receita médica no Brasil ou em Portugal?

Não. Só remédios que não precisam de receita e que qualquer pessoa pode indicar.

O senhor usou carimbos com registro do CRM no Brasil?

Não. Tenho meu registro em Portugal, de número 3.505. Posso ter usado esse registro, mas não com intenção de prescrição.

O senhor tentou revalidar diploma como médico no Brasil ou obter registro do CRM?

Não. Fui ao CRM, falei com o presidente e com uma conselheira que não pretendia atuar como médico, só usar o aparelho de eletromedicina.

Há reportagem publicada sobre o senhor em que se apresenta como médico. O senhor chegou a contestar essa matéria?

Não contestei. Em Portugal eu fiz clínica e atuei, mas no Brasil eu nunca atendi um paciente como médico.

Então o senhor se formou em medicina em Portugal?

Não vou me retratar a Portugal. A única coisa que tem que ser dita é que eu não atuei como médico no Brasil. Quero processar quem está me acusando.


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