Patrimônio Cultural da Humanidade desde julho de 2016, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, ainda não tem um plano estratégico que defina o uso da orla e quais equipamentos econômicos e de cultura e lazer podem ser instalados no local. As obras principais e emergenciais definidas com o reconhecimento da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) já estão em curso. O desafio agora no maior cartão-postal da capital mineira é integrar os planos e visões setoriais. A expectativa é a de que esse plano estratégico esteja pronto até o fim do primeiro semestre deste ano.

A análise é do secretário Municipal de Cultura de Belo Horizonte, Juca Ferreira. “A carência e a ausência de uma infraestrutura e de um projeto que dinamize a área reforça a ideia de que qualquer coisa que colocar ali está bom”, detalhou.

Ferreira explicou que a limpeza da lagoa e as questões urbanísticas têm um “razoável equacionamento”. Agora, a tarefa é dinamizar as definições sobre restaurantes e equipamentos culturais e de lazer, entre outros.

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Análise. O arquiteto e urbanista Sérgio Myssior ressaltou, porém, que a matriz de responsabilidades e planejamentos de ações que envolvem o complexo já está definida em documentos usados na candidatura. “Nada disso precisa ser reinventado, todas as diretrizes já existem e contemplam as três esferas de poder e também a sociedade”, explicou.

No entanto, o especialista considera que é preciso dar um passo à frente e colocar as ações em prática. Mais do que isso, para Myssior, a gestão da Pampulha deve ultrapassar essa questão e se definir como uma política de Estado, que independe do gestor que ganhar as eleições.

O arquiteto ponderou ainda que o plano diretor da capital mineira, que está sendo revisado, deve contemplar ações relacionadas ao patrimônio da humanidade e as transformem em políticas públicas.

Conjunto passará por nova avaliação da Unesco em 2019

A menos de um ano e meio para que a Unesco faça uma avaliação do Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, ainda há muito o que ser feito. Algumas obras, inclusive, não devem ser concluídas até meados de 2019, já que não há previsão para início nem recursos assegurados.

Entre as obras que foram acordadas na época em a Pampulha virou Patrimônio Cultural da Humanidade estão a reabilitação da praça Dino Barbieri (antiga praça São Francisco de Assis), a garantia de visibilidade da Casa do Baile, a manutenção da integridade e da autenticidade da igreja São Francisco de Assis, a restauração do Museu de Arte da Pampulha e a melhora da qualidade da água.

Em relação à praça Dino Barbieri, a Fundação Municipal de Cultura (FMC) informou que o objetivo é compatibilizar a situação atual da estrutura com o projeto de paisagismo original de Burle Marx. Uma estrutura circular que existe na praça será demolida. A Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) elaborou uma proposta de projeto para restauração, e o documento foi encaminhado para o Centro do Patrimônio Mundial e seus órgãos consultivos. Depois da manifestação do órgão, serão contratados o projeto executivo e os complementares.

A Casa do Baile deve ter a entrada original restaurada a partir de uma pesquisa histórica. Uma empresa de arquitetura já foi contratada para a elaboração da proposta. Já o museu precisa ter o edifício restaurado, e ainda não há, de acordo com a FMC, previsão para o início das obras.

A igrejinha da Pampulha também passará por uma restauração. A FMC informou que a expectativa é que as obras sejam iniciadas ainda este ano.


Minientrevista

Juca Ferreira
Secretário municipal de Cultura

O senhor tem planos para levar atrações e opções de alimentação para a orla da lagoa da Pampulha?Qual a relação do plano estratégico com essas questões?

A Pampulha vai se tornar uma parte importante da cidade quando nós pensarmos em lazer, atividades culturais e uma série de programações importantes. Quando pensarmos também em restaurantes, em equipamentos que satisfaçam a necessidade dos turistas e dos habitantes da cidade. O plano estratégico vai chegar até aí, esse é o objetivo central: sair de uma certa inércia e de uma ausência de ofertas de serviços, de equipamentos e de atividades e ir para uma situação em que a Pampulha possa se tornar de fato um orgulho da cidade.

Há risco de o conjunto arquitetônico da Pampulha perder o título de Patrimônio Cultural da Humanidade?

Não há nenhum perigo de nós entrarmos em uma categoria que é de patrimônio mundial ameaçado. Os itens que foram acordados com a Unesco e com o Iphan estão sendo executados. Alguns estão fora do prazo, são dificuldades naturais. 


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