O julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula mobilizou os belo-horizontinos nesta terça-feira (3). Manifestações contrárias e favoráveis à prisão do petista foram realizadas na região Centro-Sul da cidade. Enquanto os que querem ver o político encarcerado estavam confiantes com o resultado da sessão desta quarta-feira no Supremo Tribunal Federal (STF), quem defende a liberdade de Lula estava mais pessimista.

Na praça Afonso Arinos, no centro, centenas de pessoas acompanharam o protesto em repúdio à uma possível prisão de Lula. Com carro de som, faixas e velas nas mãos, eles caminharam até a praça Sete. Apesar da mobilização, a aposentada Diva Moreira, 72, disse não acreditar em uma vitória do ex-presidente. “Eu não acredito que eles deixarão Lula em liberdade. Para mim, o STF quer dizer Suprema Trapaça Federal. Os juízes representam uma classe brasileira privilegiada, preconceituosa, racista, que está preocupada em manter seus privilégios e seus benefícios, como auxílio-moradia”, desabafou.

Já o tradutor João Lucas Gontijo, 36, acredita que uma possível prisão de Lula seria inconstitucional. “A nossa Constituição prevê a presunção de inocência. Então, juridicamente, ninguém deve ser preso se não tiver todos os recursos julgados. Um julgamento jurídico pode se pautar por pressão popular, seja de que lado for. E ainda que fosse, as pesquisas mostram que a maioria da população quer ver Lula presidente de novo e não na cadeia”, disse.

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Pedido de prisão. Já na praça da Liberdade, se reuniram os manifestantes que defendem a prisão do ex-presidente Lula. Com uma estrutura bem maior, o protesto reuniu milhares de pessoas. Houve um palco montado no centro da praça, carros de som e o boneco inflável do ex-presidente, que ficou conhecido como Pixuleco.

“Eu acredito que o STF tomará a decisão correta amanhã, rejeitando o pedido de habeas corpus. Se o resultado for o contrário, a decisão pode influenciar outros políticos corruptos que hoje estão presos e que acabariam soltos”, disse o analista de sistemas Elton Costa, 53.

Para a médica Ethel Santiago, 52, esta quarta-feira será decisiva para o futuro do país. “Amanhã é o dia D para o Brasil. A decisão do STF vai mostrar o caminho que o Brasil quer seguir. Se é o da impunidade ou o que começa a combater de verdade a corrupção. Espero que a decisão seja negar o habeas corpus de Lula para seguirmos evoluindo”, afirmou.

A Polícia Militar não fez estimativa de público de nenhuma das duas manifestações. Nesta quarta-feira, devem haver novos protestos dos dois lados.


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