Lentidão nas avenidas Cristiano Machado, Antônio Carlos e Pedro II, no Complexo da Lagoinha, e também na Afonso Pena. Todos os principais acessos ao Terminal Rodoviário Governador Israel Pinheiro (Tergip) ficaram congestionados por três horas – entre 7h e 10h – desta segunda-feira (2). Quem conseguiu desembarcar nas plataformas teve que esperar pelo menos meia hora por um táxi ou um transporte por aplicativo. E aqueles que não estavam viajando, mas sim tentando chegar ao trabalho como todos os dias, também ficaram presos ao caos já comum da cidade nas voltas de feriado.

Isso porque o Tergip, única rodoviária de Belo Horizonte, inaugurada há quase 50 anos, fica dentro dos limites da avenida do Contorno, em ponto central da cidade, para onde se deslocam milhares de moradores da capital e região metropolitana diariamente. Um contrato para a construção de um novo terminal fora do hipercentro, para desafogar o trânsito, foi assinado em março de 2012. Mas, seis anos depois de muitas promessas e nenhuma obra, o projeto foi descartado pelo prefeito Alexandre Kalil (PHS).

“Não posso fazer a nova rodoviária no Anel Rodoviário. Se a população de Belo Horizonte não sabe, a saída da (nova) rodoviária é no Anel Rodoviário. Como é que eu vou fazer uma rodoviária que vai trazer um tráfego para onde eu quero tirar?”, questionou o prefeito, em entrevista à imprensa no mês passado.

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O novo terminal seria construído em um terreno de 62 mil m² no bairro São Gabriel, na região Nordeste de Belo Horizonte, ao lado da estação São Gabriel do metrô e do Move. Para acessar as plataformas, os ônibus teriam que passar pelo Anel. O terreno foi desapropriado em 2015 e cerca de R$ 40 milhões foram gastos em indenizações. “É uma aberração absoluta aquela rodoviária ser aprovada sem um projeto de grande porte no Anel Rodoviário”, completou o prefeito, referindo-se à revitalização do Anel e à construção do Rodoanel, duas obras sem previsão para acontecer.

Kalil disse que vai discutir o projeto da nova rodoviária com a PBH Ativos. Mas, enquanto uma solução não sai, a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) põe em prática planos operacionais pontuais para tentar minimizar o caos nas voltas de feriado. A autarquia não realiza medição de filas e congestionamentos.

Renegociação

Contrato. A prefeitura informou que está renegociando o contrato firmado entre a gestão passada e o consórcio SPE Terminal, que venceu licitação para construir e administrar a nova rodoviária.

 

Terminal opera abaixo do limite

O congestionamento visto no centro de Belo Horizonte na manhã desta segunda-feira poderia ter sido pior se o Terminal Rodoviário Governador Israel Pinheiro (Tergip) estivesse funcionando plenamente. De acordo com a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), que administra o local, a média atual é de 65 partidas por hora, 34% da capacidade, que é de 192.

O especialista em planejamento de sistema de transporte urbano Dimas Gazolla acredita que, como o terminal tem perdido demanda, ele é suficiente para atender a cidade. “O ideal para uma cidade do tamanho de Belo Horizonte é ter um único terminal. O nosso poderia apenas ser um pouco mais afastado do centro, mas não muito distante do que é hoje”, afirmou Gazolla.

Ele acredita que a criação de uma área de parada para ônibus em dias de pico seria uma solução para os congestionamentos no local. “A rodoviária funciona bem praticamente todos os dias do ano. Os problemas são pontuais e poderiam ser resolvidos com intervenções simples”, argumenta.

Saiba mais

Operação. Entre as ações tomadas na segunda-feira, a BHTrans fez estocagem dos ônibus ao longo da avenida do Contorno, fechou quatro ruas e restringiu vagas de estacionamento.

Rodoviária. A Codemig declarou que a entrada do terminal também está sinalizada com faixas, cones e pinturas no chão. As plataformas de embarque e desembarque de passageiros também foram separadas para minimizar o trânsito.

José Cândido. Em abril do ano passado, a Codemig suspendeu o embarque e o desembarque na estação José Cândido, no bairro Santa Inês, na região Leste, que servia como terminal de apoio para desafogar o centro. A medida, segundo a companhia, foi tomada devido às más condições do espaço.


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