A Justiça Federal negou na tarde dessa sexta-feira o pedido da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para administrar o Anel Rodoviário. Com o pedido, o município pretendia demonstrar que cuidaria melhor da segurança da via, palco frequente de tragédias no trânsito.

O pedido do prefeito Alexandre Kalil foi feito em setembro do último ano, após o acidente entre um carro e um caminhão de minério que perdeu os freios e matou três pessoas da mesma família.

Entre as justificativas da decisão divulgada nesta sexta-feira, o Juiz Federal Substituto da 10ª Vara Federal de Belo Horizonte citou a “falta de expertises do Município de Belo Horizonte para implementar a administração e a fiscalização dos trechos rodoviários”.

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A Justiça reconheceu como louvável a intenção do município, mas ressaltou que, para que fosse atendido o pleito do Município, o Poder Judiciário adentraria no mérito do Poder Executivo Federal, desrespeitando as leis que impõem autorização legislativa para o repasse de recursos orçamentários.

A decisão ressalta ainda que as partes envolvidas no processo não estão dispostas a conciliar nem a delegar a administração dos trechos rodoviários e uma decisão favorável da Justiça desrespeitaria a liberdade contratual. Segundo o juiz, a demanda passa ainda por decisões políticas de entes federativos nas quais não cabe interferência do poder judiciário.

A Justiça menciona ainda que não há como delegar poder de fiscalização à PBH, já que essa competência fica a cargo da Polícia Rodoviária Federal.

Por fim, a decisão cita ainda que os acidentes não são provocados apenas pela qualidade da administração na via e envolvem vários fatores como excesso de carga, negligência quanto à manutenção dos veículos, imprudência e uso de bebida alcoólica.

A Prefeitura de Belo Horizonte ainda não se manifestou sobre a decisão.


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