O extermínio de gatos em um condomínio residencial do bairro Marajó, na região Oeste de Belo Horizonte, chocou os moradores. Em agosto do ano passado, quatro felinos já haviam sido mortos por envenenamento no endereço e, desta vez, foram cinco animais mortos, com os mesmos sintomas.

A Polícia Militar (PM) foi acionada e registrou boletim de ocorrência. Os moradores estão analisando imagens de câmeras de segurança na tentativa de identificar suspeitos. Eles pretendem procurar a Polícia Civil nesta terça-feira, para pedir investigação.

O Condomínio Hortência, onde aconteceu o crime, fica na rua Orquídea, 150. A motorista de van escolar, Pryscilla Regina Silva, de 35 anos, conta que acordou por volta das 5h da manhã de domingo com um barulho na janela do apartamento dela. Quando foi verificar o que era, ela conta que encontrou uma gata adulta agonizando. “O coraçãozinho dela estava disparado e a boca espumava. A falta de ar era tanta que, na ânsia, a gatinha arranhava a parede com as patas”, conta a moradora.

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Os cinco animais mortos eram conhecidos dos moradores, que cuidavam deles, embora não tivessem a guarda. A fêmea encontrada por Pryscilla era conhecida como “Pernetinha”, depois que ficou presa no motor de um carro de outro morador, no ano passado, e perdeu parte de uma pata e do rabo. “O morador pagou clínica para o tratamento dela e até comprou uma coleirinha para ela”, disse a motorista. A gatinha morreu usando o presente.

No domingo, Pryscilla conta que colocou Pernetinha no carro dela, para procurar socorro em uma clínica veterinária, mas ela não resistiu e morreu. Os outros gatinhos eram conhecidos por Pretão, Blackinho, Brancão e Amarelo.

Os moradores castraram, vermifugaram e alimentavam os felinos. “Eram todos saudáveis e muito mansos”, lamenta Pryscilla.

CHORO

Por volta das 10h de domingo, depois da morte de Pernetinha, Pryscilla conta que saiu andado pelo condomínio, “que é muito grande e arborizado”, segundo ela, e foi encontrando os corpos dos outros gatos, já enrijecidos. “Fiquei assustada demais. Comecei a gritar e os moradores desceram para saber o que estava acontecendo. Todo mundo começou a chorar, principalmente as crianças, que brincavam com os gatinhos. Chamei a PM, que registrou boletim de ocorrência”, conta Pryscilla.

AUTÓPSIA

Os quatro gatos mortos no ano passados foram submetidos a autopsia. Segundo Pryscilla, o resultado deu que eles foram envenenados por “chumbinho”, usado para matar rato. Desta vez, os moradores enterraram os bichos, pois não tiveram orientação da polícia para fazer exame, segundo Pryscilla.

Segundo a motorista, no ano passado houve morador reclamando dos gatos que subiam nos carros, arranhavam a pintura, e matavam passarinhos, mas nenhum suspeito foi identificado. “O bicho é irracional. Faz parte da natureza dele, mesmo. O gato caça”, justifica a motorista.

PENALIDADE

De acordo com a Polícia Civil, matar animais é crime previsto na Lei de Crimes Ambientais. A pena é de três meses a um ano de detenção, e multa, para quem praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. A Delegacia Especializada de Crimes contra o Meio Ambiente vai investigar a mortes dos gatos.

SOLIDARIEDADE

A administração do condomínio divulgou nota manifestando solidariedade aos moradores e “repúdio à postura criminosa e anti social ocorrida”. “O que puder ser comprovado pelas câmeras será repassado à Polícia Militar e Delegacia Especializada de Crimes contra o Meio Ambiente”, diz o comunicado.


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