Um médico do Rio de Janeiro que trabalha como plantonista na Santa Casa de Nepomuceno, na região Centro-Oeste de Minas, foi preso pela Polícia Civil no último domingo (15) suspeito de abusar sexualmente de duas pacientes. Os crimes teriam acontecido em março durante consultas realizadas por ele na unidade de saúde. As vítimas que o denunciaram têm entre 20 e 25 anos. O clínico geral, identificado como Diego Hygino de Miranda Donola, 41, ainda pode ser o autor de outros delitos semelhantes cometidos contra uma mulher de Santana da Vargem, no Sul do Estado, e outra de Campos do Jordão, em São Paulo. A corporação, no entanto, não deu detalhes sobre essas investigações.

De acordo com o delegado Moacir de Oliveira Neto, responsável pelo caso, as investigações começaram no fim de março quando uma das pacientes procurou a delegacia de Nepomuceno para denunciar o médico. Dias depois, a segunda vítima também registrou uma queixa contra Donola. Diante dos registros, a Polícia Civil pediu à Justiça a prisão preventiva do profissional. No entanto, os policiais não conseguiram prendê-lo imediatamente, porque ele não tinha uma residência fixa na cidade e ficava em diferentes hotéis da região.

“Nós conseguimos o mandado de prisão há cerca de dez dias. Tentamos o cumprimento numa data anterior porque tínhamos a informação de que ele estaria na cidade. Entretanto, ele não apareceu no trabalho e não justificou o motivo. Mas no domingo descobrimos que ele iria à Santa Casa e montamos uma operação para monitorar o local”, explica o delegado.

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Uma equipe da Polícia Civil chegou ao hospital durante a manhã e, por volta das 17h, o médico apareceu na Santa Casa e foi preso. “Ele se mostrou surpreso num primeiro momento, mas não esboçou qualquer reação”, ressalta o delegado. “O médico optou por não prestar declarações sobre os fatos e se manifestar somente em juízo”, completa.

Donola deve responder por violação sexual mediante fraude – artigo 215 do Código Penal -, que prevê pena de dois a seis anos, a quem ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima. “No momento de fragilidade das vítimas, que procuravam atendimento médico, ele praticou a violação sexual com o intuito de se satisfazer”, explica Oliveira Neto.

Conforme o delegado, o crime de estupro não foi identificado num primeiro momento das investigações, mas essa hipótese ainda não está descartada pela polícia. A pena para esse delito é de oito a 15 anos de prisão. “Estamos tratando de vítimas que se mostravam inaptas a reagir contra qualquer conduta. O estupro a rigor precisa de alguma violência ou grave ameaça, mas pode se dar também contra alguma vítima vulnerável. Isso só será sacramentado no final da investigação”, observa.

Segundo a Polícia Civil, o médico disse que não tem qualquer parente em Minas Gerais. A corporação comunicou a um familiar dele que mora no Rio de Janeiro sobre a prisão.

Ainda de acordo com a corporação, as vítimas do médico eram mulheres de “boa aparência e origem humilde”. O inquérito deve ficar pronto em até dez dias.


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