Mais um ônibus foi incendiado em Belo Horizonte. Desta vez, o crime aconteceu na noite desta segunda-feira, no bairro Piratininga na região de Venda Nova.

A Polícia Militar (PM) informou que o coletivo da linha 617 foi reduzido a pó quando estava parado no ponto final da linha que fica localizado na rua Zélia. Este é o sétimo ônibus incendiado em apenas 5 dias na capital e na Região Metropolitana. 

Segundo o boletim de ocorrência, três homens armados e encapuzados renderam o motorista por volta das 20h e exigiram que o homem saísse do veículo.

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Reivindicações

O motorista do veículo confirmou a reportagem do Portal O TEMPO que os criminosos deixaram um bilhete onde supostos detentos do sistema penitenciário de Minas Gerais exigiam melhorias no tratamento aos presos das penitenciárias Nelson Hungria, Bicas II e Dutra Ladeira. Além disso, na mensagem os presos exigiam o retorno das visitas íntimas nas três unidades prisionais.

O motorista também afirmou que os três indivíduos, antes de espalhar gasolina e atear fogo no ônibus afirmaram que somente queriam destruir o coletivo. “Eles já me disseram logo de cara que não queriam fazer nada comigo, queriam apenas incendiar o ônibus”. Após o crime, os três suspeitos fugiram usando um Gol de cor prata. A PM acredita que os suspeitos eram menores de idade. 

Patrulhamento intensificado

O major Warley Eustáquio, comandante da 15ª companhia do 49º Batalhão da Polícia Militar, que é responsável pelo patrulhamento do bairro Piratininga, afirmou que a PM está intensificando ações de patrulhamento nos pontos finais dos ônibus para impedir novas ações de queima de coletivos.

Posição da Seap

Em nota, a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) está acompanhando o andamento dos casos de ataques à ônibus que ocorreram nos últimos dias na capital e região metropolitana. A pasta ressalta que aguarda as investigações da Polícia Civil, que apura suposto envolvimento de detentos do Complexo Penitenciário Nelson Hungria na ordem de execução dos crimes. A Seap assegura ainda na nota que toda e qualquer conduta inadequada dos seus servidores, quando devidamente formalizada, é apurada nos termos da lei.

Onda de ônibus queimados

A onda de incêndios em coletivos começou na última quinta-feira quando três ônibus foram queimados na região metropolitana. Em Contagem, um ônibus da linha 303 foi destruído no bairro Colonial quando os dois suspeitos entregaram o primeiro bilhete contendo as exigências de presos Nelson Hungria. No mesmo dia, outros dois veículos foram destruídos por ação de criminosos.

Em Belo horizonte, um micro-ônibus que trouxe agricultores familiares da região do Triângulo mineiro para uma feira na capital foi incendiado no bairro Juliana, na região de Venda Nova. Já em Brumadinho, um ônibus que era usado para transporte de funcionários de uma empresa da cidade também virou pó no bairro Aranhas.

Na sexta, outros dois ônibus foram destruídos em São Joaquim de Bicas e Betim. Em São Joaquim de Bicas os criminosos justificaram o crime com um bilhete que dizia que a ação era uma resposta a atuação da PM que havia prendido homens envolvidos com o tráfico de rogas nas regiões no dia anterior. Três pessoas foram presas pela PM suspeitas de terem participado do incêndio ao veículo. 
Em Betim, um coletivo da linha 2590 foi incendiado no bairro Vila Cristina. Segundo a PM, dois homens armados renderam os funcionários da empresa de ônibus e incendiaram o veículo. No momento da fuga, os autores deixaram uma carta reivindicando melhoria nas penitenciárias do Estado.

No início da madrugada de segunda-feira, mais um ônibus, desta vez da linha 7540, que liga o bairro Alvorada em Betim a Belo Horizonte. No início da madrugada desta segunda-feira, dois homens cercaram o motorista do coletivo no ponto final da linha, na rua dos Novatos, no bairro Alvorada em Betim. No momento da fuga, os criminosos deixaram mais um bilhete que supostamente teria sido enviado por presos que cumprem pena na penitenciária Nelson Hungria.


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