Dispensado como testemunha no julgamento do homem que estuprou, enforcou com uma corda e arrancou o coração da sua filha de 10 anos, o lavrador Sebastião da Cruz Costa, de 56 anos, voltou para o plenário do fórum de Buenópolis, na região Central de Minas,  onde acompanha a sessão do júri que entrou para a fase da réplica. A acusação e defesa voltaram a falar, depois de mais de duas horas de debates.

O pai está desolado e chora quando a defesa tenta inocentar o réu, Jairo Lopes, de 44. “A gente sabe que foi ele mesmo. Minha filha era uma menina muito humilde. Não gostava de perder aula de jeito nenhum” , disse.

Sebastião conta que na data do crime precisou sair de casa antes das 6h, para ir à cidade, e que falou com a filha que a avó dela iria chama la quando fosse a hora de ir para a escola. 

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A menina saiu de casa às 6h10 e foi andando rumo à porteira, onde esperava pelo ônibus escolar.  No dia, a meniba deixou em casa a bicicleta que ganhou de presente da tia, para que a menina não fizesse tanto esforço na caminhada.

“Quando saí de casa, ela me pediu a bênção “, lembra pai. Quatro Quando retornou para casa no final da tarde, ele conta que não encontrou a Raiane em casa.  “A comadre Divina, que cuidava dela e da avó, estava preocupada. Achei que o ônibus tinha quebrado na estrada, mas não quebrou. Ficamos desesperados”, conta o labvrador.

Moradores da região se uniram nas buscas para localizar a menina. O corpo foi encontrado no dia seguinte, à noite, em uma mata fechada,  com sinais de violência física e sexual e com a barriga aberta. “Falaram comigo como ela estava,  mas não tive coragem de olhar. Foi como tirar um pedaço de mim também, meu coração,  mesmo”, chorou o pai.

Sebastião conta que a mulher dele tinha morrido há seis meses, na época, por problemas de saúde,  e que para ele o baque foi muito grande. “Eu trabalhava lá,  mas para mim a vida acabou. Larguei o serviço. Não deu mais para ficar lá” , disse. E toda vez que o ônibus escolar passava na estrada, junto à porteira onde a filha ficava,  o lavrador conta que a sua dor aumentava ainda mais,  que ele levantava as mãos para o alto e entrava em desespero. “Foi muito difícil perder a minha única filha,  seis meses depois de perder a minha mulher”, lamenta.


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