Foto: Marcos Crepaldi/SecomPMU

Preocupada com a importância do planejamento familiar, a Prefeitura de Uberlândia, por meio da Rede de Atenção à Saúde da Mulher, foi a primeira de Minas Gerais a adotar o uso do método contraceptivo subcutâneo para aprimorar a prevenção e ampliar os cuidados a este grupo de mulheres. A ação visa auxiliar ainda mais as famílias, sobretudo, nas questões relacionadas à gravidez na adolescência – que atinge 65% das jovens de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Considerada uma das formas mais eficazes para evitar a gravidez indesejada, segundo também a OMS, o procedimento passa a ser oferecido gratuitamente pela rede municipal para mulheres em situação de vulnerabilidade. Nesta semana, foram realizados os treinamentos teóricos e práticos com todos os profissionais da rede, para que os implantes comecem a ser dispensados.

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Efetividade

De acordo com a coordenadora da rede de atenção à saúde da mulher, Bárbara Cunha Mello Lazarini Antonioli, o projeto piloto foi testado no ano passado, quando 200 implantes foram distribuídos às mulheres em vulnerabilidade, como adolescentes, mulheres que já tiveram vários filhos e que deram á luz recentemente.

Após um ano de avaliação, já foi observado uma redução de gravidez nestes casos. “Nosso número em 2016 era de 12,7%, agora tivemos uma redução para 11,56% em uma população delicada. É um trabalho estratégico que foca na contracepção segura e de longa duração, para continuar reduzindo caso de gravidez indesejada, principalmente na adolescência e entre mulheres em vulnerabilidade”, explicou.

                                                                                            

Ainda segundo a coordenadora, o procedimento chega para ajudar a reverter essa situação no cenário local, de forma simples e duradoura. “Acredito que Uberlândia sai na frente no cenário nacional, porque a contracepção de longa duração já é preconizada no mundo inteiro como a forma mais efetiva, principalmente quando se fala em adolescentes e mulheres em vulnerabilidade. Serve para evitar desfechos ruins, como eventuais abortamentos provocados, mortalidade materna e infantil, abandono de crianças, entre outros. O planejamento familiar é a base de uma assistência à saúde da mulher de qualidade e felizmente estamos ampliando este acesso”, afirmou.

Da prevenção ao pós-parto

O método consiste em um pequeno bastão de cerca de 4 cm que, ao ser implantado junto ao braço, libera o hormônio etonogestrel. Embora dure poucos minutos para ser colocado, o sistema tem duração de três anos, quando é recomendada a troca. “É um procedimento tranqüilo, mediante anestesia local, que é feito pelo próprio médico, mas toda equipe tem que estar alinhada. Serve tanto para pacientes em vulnerabilidade que desejam evitar uma gravidez indesejada, quanto para o pós-parto”, completou a coordenadora.

Como participar

Considerado um excelente mecanismo de contracepção feminino, o implante de etonogestrel tem aplicação única e efeitos colaterais reduzidos. Para receber o atendimento, a interessada deve se dirigir até a unidade de referência mais próxima, para que o médico avalie se a mesma se enquadra nos critérios, analise as condições e encaminhe para o ambulatório de planejamento familiar, onde será feito o agendamento. O equipamento já está no município e será oferecido gratuitamente.

Vantagens

Ao ser inserido na camada subcutânea, o etonogestrel evita a oscilação mensal dos hormônios que causa a ovulação. Além disso, inibe a liberação do óvulo e altera o muco do colo do útero, que é um líquido espesso cujo espermatozóide utiliza para atravessar e chegar ao encontro do óvulo, dificultando assim a fecundação.


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