“Eu acho péssimo não ter cobrador. O motorista fica muito sobrecarregado para cobrar. Fica perigoso, eu me sinto insegura. É difícil até olhar os retrovisores”. As ponderações da auxiliar de serviços gerais Maria José da Cruz, 41, sobre a ausência de cobradores nos coletivos ilustram o tema de uma audiência pública que a Assembleia de Minas realizou na terça-feira (24). Motoristas e usuários argumentam que os condutores estão sobrecarregados com a cobrança das passagens, e não é só: eles têm ainda que monitorar assentos reservados para idosos, gestantes, pessoas com dificuldade de locomoção e com deficiência, além de operar elevadores de acesso.

O debate foi proposto pelo movimento Volta, Cobrador de Contagem, organizado por usuários do transporte coletivo da cidade da região metropolitana da capital. Várias linhas do município estariam rodando sem trocador, segundo integrantes do movimento. Em nota, a Prefeitura de Contagem, por meio da Autarquia de Trânsito e Transportes de Contagem (Transcon), informou que atualmente as linhas municipais não operam com o cobrador. “Essa situação está prevista na Convenção Coletiva de Trabalho, firmada entre o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano e Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Belo Horizonte”, diz a nota.

Para o deputado doutor Jean Freire (PT), presidente da Comissão de Participação Popular da Assembleia, a ausência de cobradores em ônibus precisa ser mais bem avaliada pelo poder público. “Precisamos ter mais coragem de encarar a questão. De um lado, está o capital, e, do outro, o respeito ao ser humano”, pondera. Na capital, as linhas do Move operam sem cobrador. Cerca de 80% dos usuários do sistema fazem o pagamento com o cartão BHBus. Para as demais linhas – exceto as especiais –, a lei determina que a ausência do cobrador é restrita ao horário noturno e a domingos e feriados.

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Adicional

Função. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) informou que os motoristas recebem adicional de 20% quando também cobram tarifas.


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