Depois de 11 anos e cinco meses sem reajuste, a tarifa de metrô de Belo Horizonte deverá subir em breve. Um plano de ação da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), concluído em dezembro passado, prevê um aumento gradual a partir deste ano, começando por R$ 2,00 e chegando a R$ 3,24 – ou R$ 3,34, se atualizado de acordo com a inflação do período. 

Já o Sindimetro (Sindicado dos Empregados em Transportes Metroviários e Conexos de Minas Gerais) informou que, ao que tudo indica, não haverá mais escalonamento, e o preço da passagem deve saltar de uma vez só de R$ 1,80 e R$ 3,40 nos próximos dias, um aumento de 88,8%. Segundo o sindicato, essa decisão foi tomada ontem em Natal (RN), durante reunião com gestores da CBTU e do governo federal.

O presidente do Sindmetro, Romeu José Machado Neto, disse que ficou sabendo do aumento imediato para R$ 3,40 por meio de uma fonte da CBTU que participou da reunião gerencial em Natal. A reportagem não conseguiu localizar neste sábadorepresentantes da companhia e dos Ministérios da Cidades e do Planejamento para confirmar a informação.

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O reajuste da tarifa do metrô é pleiteado há vários anos pela CBTU. O último aumento na capital mineira ocorreu em dezembro de 2006.

A elevação do valor faz parte das estratégias de ação da CBTU para melhorar o transporte por trilhos em todas as cidades onde atua.

Além de Belo Horizonte, novas tarifas entrariam em vigor ainda este ano em Recife (PE) – de R$ 1,60 para R$ 3,00 -, e Natal, João Pessoa (PB) e Maceió (AL) – de R$ 0,50 para R$ 1,00, de acordo com o Sindimetro. Em todas essas cidades, o metrô atende uma grande parcela de usuários de baixa renda, o que sempre pesou nas decisões sobre o reajuste, além do impacto político negativo.

No Plano de Ação 2018 da CBTU, a companhia justifica a necessidade do aumento.

“Embora de fundamental importância manter o valor da tarifa unitária em níveis acessíveis para a população, seguindo a vocação social da superintendência, é importante considerar que a relação entre esta tarifa e o valor médio da tarifa do transporte de passageiros por ônibus, não pode, sob pena de causar um desequilíbrio econômico na matriz de transporte público, apresentar diferenças significativas, como ocorre atualmente”, declarou.

Atualmente, o valor unitário da passagem de ônibus predominante na capital é de R$ 4,05.

O presidente do Sindmetro disse que o metrô passa por crise.  “A situação é grave. Faltam investimentos e o orçamento de custeio do metrô foi cortado em 42%”, ponderou Neto. No entanto, ele acredita que o reajuste acima de R$ 2,00 sem modernização do sistema é abusivo e deve reduzir o número de passageiros no transporte.

“O aumento em todo o país será entre 80% e 100%. Com certeza querem tornar o negócio atrativo para a iniciativa privada. Quem está por trás desse aumento não tem pretensão política nem está preocupado com as condições da população”, concluiu Machado Neto.


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