Quinze casos de caxumba, na mesma sala, em um mês. Os alunos do 3º período noturno do curso de Odontologia do Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), na região Oeste da capital, decidiram interromper as aulas a partir desta quarta-feira (9) até o término do período de transmissão da doença.

Segundo os alunos do curso, a situação começou há cerca de um mês e 12 casos foram confirmados até o último final de semana. Pelo menos outras três pessoas também estão com suspeita de terem contraído a doença. O UniBH confirma apenas oito casos e mais três sob investigação.

“Comecei a sentir os sintomas no sábado. Dor de ouvido, rosto inchado, dificuldade para engolir, febre”, relatou uma aluna do 3º período do curso de Odontologia do campus Estoril, que preferiu não se identificar.

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Com o intuito de encerrar o ciclo de transmissão da doença, os alunos decidiram interromper as aulas a partir desta quarta-feira.

“Ninguém foi a aula hoje e vai ficar assim por pelo menos uma semana”, disse outra aluna, que também não quis se identificar.

A estudante se mostrou preocupada com a reposição das aulas já que o período de férias se aproxima e a ida à instituição se torna inviável.

“A gente queria um apoio da universidade para fazer as aulas à distância”, declarou a aluna que mora na região metropolitana de Belo Horizonte e depende de uma van para viajar todos os dias.

O UniBH informou à reportagem de O TEMPO que foram confirmados oito casos de caxumba em alunos do curso de odontologia do campus Buritis e que três suspeitas ainda estão sob investigação. “Os alunos, professores e colaboradores que possivelmente tiveram contato com o grupo infectado receberão a vacina nesta quinta (10), às 19h, no Campus Buritis. O Centro Universitário reitera que está seguindo os protocolos estipulados pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais para garantir o bem-estar de todos os envolvidos”, afirmou a universidade em nota. A instituição informou que suspendeu as aulas da turma até a próxima segunda-feira (14) e que haverá reposição do conteúdo – o calendário será informado em breve.  

Além disso, haverá uma campanha de conscientização sobre as doenças virais comuns da estação. 

O Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA), declarou que está monitorando dois surtos de caxumba nas regionais Leste (33 casos) e na Oeste (11 casos).

Segundo o órgão, no ano passado foram registrados um total de 864 casos de caxumba na capital mineira. Este ano já são 173 casos da doença no município.

A prefeitura disponibiliza ao longo de todo o ano, nos 152 centros de saúde, a vacina triviral – que protege contra sarampo, rubéola, caxumba e varicela, que deve ser tomada em dose única aos 12 meses. Caso não tenha recebido o esquema completo na infância, pessoas de 10 aos 29 anos devem tomar 2 doses. No caso de pessoas entre 30 e 49 anos, o recomendado é uma dose.

Caxumba

Também conhecida como parotidite, a enfermidade é altamente infecciosa e dura cerca de uma semana. É transmitida por um vírus que inflama glândulas do corpo – salivares, dos testículos e de ovários – e causa sintomas parecidos com os do resfriado: dor de cabeça, febre baixa, perda de apetite, mal-estar e dor muscular. A única diferença é o inchaço do local atingido, disse a médica Mônica Itabayana em entrevista à reportagem de O TEMPO em 2017 sobre o aumento dos casos no estado.

Atualizada às 10h37, em 10 de maio de 2018.


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