Pesquisa divulgada na última terça-feira no jornal O TEMPO, mostrando que Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte, é o lugar de Minas Gerais com mais acesso ao site de relacionamentos extraconjugais Ashley Madison, provocou rebuliço na cidade. Enquanto muitos se divertiram com a situação, outros se mostraram indignados com o levantamento, segundo o qual há o dobro de mulheres utilizando os serviços do site em relação aos homens. Foram 65 acessos mensais ao portal em Ibirité no ano passado.

A dona de casa Maria, 48, que preferiu não dar o sobrenome, diz que a cidade é pacata e pequena, onde todos se conhecem. “Sabemos que esse tipo de coisa acontece, sim, mas não com essa quantidade de vezes que a pesquisa mostra. O problema é que isso atinge todo mundo, não só as pessoas que traem”, afirma.

“A pesquisa fala que as mulheres são as que traem mais aqui. Eu, como mulher, me sinto ofendida. Tenho uma filha adolescente que sai para se divertir. Imagina ela estar num lugar e ser alvo de brincadeiras de mau gosto?”, indagou uma leitora que pediu anonimato.

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Por outro lado, a universitária Nayara Figueiredo, 27, disse que achou graça de toda a situação. “Eu levo numa boa porque sei que esse tipo de coisa não pode servir para definir o caráter da população de uma cidade inteira. Agora, se alguém se sentiu atingido com isso é porque a carapuça serviu”, brincou Nayara.

Para o autônomo Marcelo Silva, 32, os moradores de Ibirité deveriam encarar a situação de uma maneira mais leve. “Já temos tanta notícia ruim, de violência, sendo divulgada. Temos que distrair um pouco a cabeça e rir”, opinou o rapaz.

“Eu me sinto muito ofendida com essa publicação, pois, na opinião de quem não comete traições, isso foi uma total generalização, e agora somos alvos de piadas de mal gosto”, escreveu Mírian de Fátima Lopes ao jornal. Muito nervosa, outra cidadã de Ibirité ligou para a redação se dizendo indignada e chegou a fazer ameaças, além de questionar como a pesquisa foi feita.

O site de relacionamentos extraconjugais Ashley Madison esclareceu que o mapeamento é feito com base nos CEPs informados no momento em que os usuários cadastram seus perfis. A empresa considera, no caso das mulheres, as que estiveram online até 24 horas após o cadastro. Quanto aos homens, além desse fator, é necessário que, no mesmo período, eles tenham comprado um pacote de créditos para interagir com o público feminino.

Segundo a aposentada Vera Silva, 69, a repercussão do levantamento não deve ser vista com tanta seriedade. “É uma coisa engraçada, porque a reação das pessoas é exagerada, não precisa disso. E não é só porque aconteceu em Ibirité, seria engraçada se fosse em qualquer outra cidade. As pessoas deveriam se preocupar menos com o que os outros falam”, opinou.

Nas redes sociais

“A essência humana não é fiel, ninguém coloca cinto de castidade em ninguém.”
José Flavio Morais

“Quem não tem caráter vai trair independentemente da cidade onde mora.”
Luzia Iris

“É por isso que meu ex-marido voltou a Ibirité, safado.”
Vivi Moura

“Dos males o menor. Só assim a cidade vira notícia. Falem bem ou falem mal, importante é que falem.”
José Lopes Leão

“Maioria das pessoas que estão xingando a matéria nem a leu.
Naiara Figueiredo

“Porque será que as pessoas em Minas Gerais traem tanto assim? Dormir com um olho aberto e outro fechado não resolve, não dá pra confiar em ninguém.”
Sandra Souza

“É um tipo de pesquisa em que não dá pra confiar. Poucas falam a verdade.”
Washington Santos

“Ver gente comemorando como se fosse um troféu só mostra o caráter e a falta de ética.”
Pedro Paulo Chicareli 

Dado pode gerar estado de alerta

De acordo com a psicóloga Andréa Moreira Maciel, especializada em terapia sistêmica de família, casais e indivíduos, há vários motivos para que as pessoas se sintam atingidas pelos dados. “Geralmente, quem trai está insatisfeito e busca uma saída rápida e fácil em uma terceira pessoa. Quando isso é explicitado, é comum que se crie um estado de alerta naquele lugar para saber se você está sendo traído ou se descobriram sua traição”, diz.

Outro ponto destacado pela especialista é a influência das redes sociais. “Vivemos numa sociedade de superficialidade e aparência. A infidelidade é um tipo de fraqueza. Se uma fragilidade é exteriorizada, isso não é visto com bons olhos”, afirma.

Além disso, a cultura em que essas pessoas estão inseridas também pode ser apontada como motivo. “Como povo de hábitos cristãos, somos ensinados que a traição é um erro gravíssimo de ser cometido”, conclui Andréa.


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