Conflitos de terra foram tema de mais uma audiência pública nesta segunda-feira (21) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte. Desta vez, os convidados foram os produtores rurais do Norte e do Sul de Minas, que se manifestaram contra a demarcação fundiária às margens do rio São Francisco e fizeram denúncias de violência por parte de integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) – que, em abril, também ocuparam a Casa para relatar ameaças e agressões.

A discussão nesta segunda-feira foi organizada pelas comissões de Segurança Pública e de Agropecuária da ALMG. Produtores rurais e parlamentares presentes disseram que o MST está sendo beneficiado com o processo de demarcação por conta de interesses políticos. “Se os produtores pisam em terras às margens de rio, são multados. Porque elas deveriam ser destinadas ao MST?”, questionou o deputado estadual Antônio Arantes (PSDB).

Segundo os agricultores e pecuaristas, os sem-terra estariam usando de violência para expulsar os proprietários das fazendas. “Tivemos invasões recentes com maus tratos aos animais. Em Capitão Enéas, no Norte de Minas, houve espancamento e tentativa de homicídio de uma mulher, afirmou o produtor rural João Damázio, um dos organizadores do Movimento Segurança no Campo. As denúncias serão encaminhadas à Superintendência de Patrimônio da União (SPU), ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e à Polícia Militar (PM).

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Outro Lado. Já o MST e a Comissão Pastoral da Terra (CMT) alegam que a violência parte dos fazendeiros. “Em uma estatística parcial, somente em 2017, tivemos o assassinato de 70 trabalhadores rurais. É o maior número desde 2003. As terras às margens do rio São Francisco são públicas, da União. E cabe à SPU demarcá-las. Entretanto, o órgão está sendo impedido pelos fazendeiros, que estão expulsando a população ribeirinha”, ressaltou o membro da CMT, Frei Gilvander Luís.


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