Menos da metade das crianças de 6 meses a 5 anos, que fazem parte do público-alvo da campanha nacional de vacinação contra a gripe, foi imunizada em Belo Horizonte. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), das 124.282 crianças nessa faixa etária residentes na capital, apenas 54.187 receberam a dose, ou seja, 43,6%. 

O percentual está pouco acima da média nacional para essa população (34,9%), mas ainda é preocupante, segundo a diretora de promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Belo Horizonte, Lúcia Paixão.

A vacinação gratuita acontece uma vez por ano, e a atual campanha, que começou em 23 de abril, termina na sexta-feira da próxima semana, 1º de junho.

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Segundo Lúcia, é difícil compreender a não adesão dos pais, que não levam as crianças para serem vacinadas. A preocupação é tamanha, segundo ela, que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) está enviando uma carta à Sociedade Mineira de Pediatria pedindo apoio para que atue junto com o município na orientação para que os pais levem as crianças para serem imunizadas.

Assim como os idosos, com mais de 60 anos, crianças entre 6 meses e 5 anos são mais vulneráveis a apresentar formas mais graves da doença, ainda mais agora com as temperaturas mais baixas e aproximação do inverno, quando o vírus da influenza circula mais.

“Todas as pessoas que estão incluídas nesse grupo têm que se vacinar. A resposta da vacina demora um tempo, de duas a três semanas. Quanto mais cedo a pessoa se vacinar, mais preparada ela estará para esse período, que é de maior circulação do influenza”, alertou Lúcia.

A vacinação gratuita será interrompida na sexta-feira da semana que vem, quando termina a campanha, e ficará disponível nos postos de saúde apenas para gestantes e mulheres que tiveram parto há menos de 45 dias (puérperas), como também para crianças que nascerem após esse período e que completarem 6 meses de vida para receber a primeira dose.

A média de cobertura vacinal brasileira (índice usado pela pasta para medir a porcentagem de vacinados) está em 48%. Em Belo Horizonte, a média para todos os grupos era de 67% de cobertura, até o último dia 21. Em Belo Horizonte, 73,5% dos idosos já foram vacinados.

“Lembrando que a nossa meta é vacinar 90% de cada um dos grupos. O grupo que está com melhor índice é o das mulheres que tiveram bebês recentemente, com 87,1% delas já vacinadas”, disse Lúcia.

Importante

Reforço. A recomendação é que as pessoas recebam uma dose da vacina por ano. “Cada ano, a vacina é refeita com os vírus que provavelmente vão circular naquele período”, explicou Lúcia Paixão.

 

Paciente de 63, que era vacinada, morreu na capital

Minas Gerais registrou quatro óbitos neste ano por causa da gripe, sendo que dois deles foram em Belo Horizonte. Uma das mortes ocorridas na capital é a de uma mulher de 63 anos, moradora da região Nordeste. Segundo a Secretaria municipal de Saúde, ela foi vítima do vírus H1N1 e havia tomado a vacina em 25 de abril.

“Ela também tinha outras doenças associadas que já indicariam a vacina”, explicou.

Na paciente, os sintomas da gripe começaram no dia 9 deste mês, cerca de 14 dias depois de ela ter se vacinado. “Considerando que o período de incubação dessa doença é de dois a três dias, ela se infectou mais ou menos dois dias antes de apresentar os sintomas”, disse.

Uma das hipóteses é que, nesse período, o corpo dela possa não ter reagido a ponto de formar anticorpos adequados. “A segunda hipótese é que a vacina não é 100% eficaz, e existe uma variação de respostas de formação de defesa de acordo com cada pessoa. A terceira hipótese é a de ter alguma diferença no vírus, o que não acreditamos porque nós tivemos esse caso e não estamos tendo tanto aumento de internação em relação ao ano passado pela influenza”, disse Lúcia, ressaltando a importância de que as pessoas se vacinem.


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