Em ritmo lento, os postos de combustíveis dos municípios mineiros começaram a receber álcool e gasolina. A expectativa de entidades que acompanham e monitoram a greve dos caminhoneiros em todo o país é que a situação de abastecimento de combustíveis em Minas Gerais seja normalizada entre cinco e sete dias.

A avaliação é que o cenário melhore a partir deste fim de semana. De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), os caminhões-tanque para o reabastecimento dos 4.360 postos de combustíveis do Estado já estão saindo das bases de distribuição sem a necessidade de escolta policial. 

A previsão do Minaspetro é que o combustível deva chegar a todos os pontos da região metropolitana de BH nas próximas 48 horas. Para o interior, o prazo de estoque para atendimento à população é de até três dias, sendo que, a estimativa é que a situação se normalize, em todo o Estado, em até uma semana.

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“Leva um tempo para tudo voltar ao normal, mas o que a gente pode dizer é que, em Betim, os desbloqueios já aconteceram. Então, os caminhões estão abastecendo, alguns até sem escolta. Agora, a normalização no final da cadeia, que é do consumo, vai levar um pouco mais de tempo. A gente acredita que aqui, na capital, a normalização aconteça gradativamente até o final de semana”, explicou o chefe da fiscalização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) em Belo Horizonte, Adriano Sverberi Abreu. 

Demora. A situação de desabastecimento fez com que 183 cidades de Minas decretassem situação de emergência, e 22, situação de calamidade pública, conforme balanço da Defesa Civil divulgado nesta quarta-feira (30). Os decretos permitem que os problemas sejam resolvidos com mais agilidade, de forma emergencial.

Na avaliação do presidente da Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda, a demora para a normalização do abastecimento faz com que a situação de Minas seja considerada caótica. Ele avaliou que faltam ações efetivas do governo do Estado para a desobstrução de estradas, o que aceleraria a entrega de combustíveis. “Minas tem hoje (quarta) a pior situação do país”, declarou Miranda, que faz parte do comitê que trata sobre a crise no governo federal.

Em resposta, o comandante geral da Polícia Militar, coronel Helbert Figueiró, criticou Miranda por conta do suposto “desconhecimento” em relação ao Estado. “Essa pessoa se mostra ignorante a respeito da situação da segurança em Minas. Foi um dos Estados que menos sofreu”, disse Figueró, que apresentou números da operação no Estado.

“Transportamos 11 milhões de litros de combustível com a escolta da PM. Na média, em um dia normal, uma distribuidora transporte 38 caminhões-tanque por hora. Hoje (quarta), com a ação da PM, transportaram 54 caminhões por hora. Dentro de 48 horas, acreditamos que a situação se aproxime da normalização”, disse.

Espera

BH. Enquanto a oferta de combustível não é normalizada, motoristas sofrem para conseguir abastecer seus carros. Na manhã desta quarta-feira, longas filas foram registradas em postos do Barreiro. O economista Luiz Oliveira, 42, contou ter passado a noite no local. “Foi difícil, mas eu fui uma das primeiras pessoas a abastecer. Eu estava precisando muito por causa das crianças. Sem aulas, tenho que deixá-las na casa da minha sogra”, disse.

 

PM proíbe venda em galões no Estado

Os postos de combustíveis em Minas Gerais estão temporariamente proibidos de vender álcool e gasolina em recipientes como galão – mesmo os certificados. A informação foi divulgada pelo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro).

“A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) publicou o Memorando 30.043/2018 para instituir, de maneira temporária, que os postos de combustíveis não comercializem o combustível em recipientes, ainda que estes sejam certificados pelo Inmetro”, diz nota no site do sindicato.

Se alguém descumprir a determinação, poderá ser autuado por “crime de desobediência”. O sindicato ainda pede para proprietários e funcionários de postos acionarem a polícia se necessário.

 

Governo vai receber denúncias de abuso

Brasília. O governo federal divulgou nesta quarta-feira um número de telefone para os caminhoneiros denunciarem comportamentos abusivos de grevistas nas estradas. Eles podem contatar as autoridades via WhatsApp caso estejam sendo impedidos por grevistas de seguir viagem. O número é o (61) 99154-4645. 

 

A iniciativa foi anunciada pelo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, em entrevista coletiva realizada no Palácio do Planalto. 

“As pessoas poderão nos mandar registros de quem são esses criminosos que estão cometendo violências. No caso dos que estão sendo ameaçados e coagidos, repassaremos para as polícias para que possam, na medida do possível, se deslocar até o local”, disse. E completou: “Na forma de lei, vamos punir com rigor”.

 

R$ 2 mi de multa para petroleiros

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) aumentou o valor da multa diária a entidades sindicais responsáveis pela paralisação das atividades dos petroleiros. O TST considerou ilegal a greve iniciada na quarta-feira. A decisão da ministra Maria de Assis Calsing, do TST, aumenta de R$ 500 mil para R$ 2 milhões a multa diária em caso de desobediência. A decisão foi tomada na tarde de quarta-feira, depois de análise de uma petição apresentada pela União e pela Petrobras. Por meio de nota, o TST informou que 18 entidades de classe (sindicatos e federação) estão sujeitas à penalidade. O montante incide tanto para o caso de continuidade do movimento grevista quanto para ação que bloqueie o livre trânsito de pessoas. Segundo o diretor do Sindipetro-MG, Felipe Pinheiro, a paralisação será mantida no Estado. Diariamente, a categoria está se reunindo para avaliar a manutenção ou não da greve. Porém, ele ressalta que isso não afetará o abastecimento. A Federação Única dos Petroleiros diz que houve adesão em 25 plataformas de produção de petróleo.


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