Ao menos 19 ambulâncias novas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) estão paradas em um galpão no bairro Padre Eustáquio, na região Noroeste de Belo Horizonte. Os veículos foram cedidos ao Estado em janeiro, mas até o momento não prestaram socorro a pacientes, e ainda não há previsão da Secretaria de Estado de Saúde (SES) de quando vão começar a rodar. Com um custo de R$ 3,4 milhões – sendo R$ 180 mil cada um –, esses carros deveriam atender moradores de 222 cidades.

No local, a reportagem de O TEMPO constatou que há 25 ambulâncias inutilizadas. No entanto, segundo moradores e comerciantes da região, esse número é variável. De acordo com o empresário Dertuliano Vieira, 46, muitos veículos estão no pátio há mais de oito meses. “De janeiro para cá, só tem aumentado o número. Estão apodrecendo no sol e na chuva. Um absurdo”, denuncia.

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Para a diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde) Núbia Dias, o problema tem se agravado na atual gestão. “O Estado é superburocrático, mas isso tem piorado nos últimos anos. Veículos que saíam em 30 dias têm ficado mais de 90 à espera de documentos”, afirma. “É preciso ter um olhar diferenciado no programa de urgência e emergência, afinal, estamos lidando com vidas”, completa. Na opinião do presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Julvan Lacerda, “comprar ambulâncias é fazer teatro”. “É um reflexo da incompetência de um Estado que retém o dinheiro para os municípios”, diz ele. 

Renovação de frota. Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que os veículos são para a renovação da frota dos Samus regionais já implantados no Estado. Ainda segundo a pasta, o processo de cessão de uso dos veículos requer o envolvimento de vários setores do Ministério de Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde e dos consórcios que gerenciam o programa. 

Segundo a SES, os consórcios contemplados são Cisrun (região Norte), Cisnorje (regiões Nordeste e Vale do Jequitinhonha) e Cisru (Centro-Sul), que, juntos, cobrem 222 municípios. “A secretaria tem se empenhado em proceder à rápida tramitação dos veículos ”, diz a nota. 

De acordo com o Ministério da Saúde, foram doadas ao Estado 19 ambulâncias por meio de portaria publicada em 18 de janeiro. No entanto, os veículos só foram retirados pelo governo de Minas em março, com o processo de doação concluído. 

Até o fechamento da edição, nenhum representante dos consórcios beneficiados tinha sido encontrado para falar.

Governo

Promessa. Na campanha para o governo do Estado, Fernando Pimentel (PT) havia feito duras críticas à gestão passada sobre o não funcionamento do Samu e disse que sanaria o problema.

 

Conforme sindicato, número de veículos não é suficiente

Minas tem 246 veículos em atividade para atender o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). No entanto, esse número representa um déficit de 25% em relação à demanda do Estado, segundo a diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde) Núbia Dias. De acordo com ela, a situação é mais crítica no interior, sobretudo no Norte e no Vale do Jequitinhonha. 

“Em alguns locais, as ambulâncias precisam andar mais de 400 km para chegar às ocorrências. Isso desgasta muito esses carros. É preciso que haja uma manutenção muito grande”, explica. “Além disso, temos que atender a população no menor tempo possível. Estamos falando em salvar vidas”, reforça a diretora. 

O prefeito de Queluzito, na região Central do Estado, Celinho (PR), afirma que o município precisa muito do novo veículo. A cidade, que tem pouco menos de 2.000 habitantes, está na região de um dos consórcios a serem contemplados pelos novos carros do Samu. “Estamos na expectativa de receber a ambulância”, diz. 

Procurada, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informa que tem trabalhado tanto para renovar a frota do Estado de acordo com o preconizado pelo Ministério da Saúde quanto para ampliar o número de veículos do Samu já aprovado pelo órgão. 

Conforme o Ministério da Saúde informou, assim que completam três anos de uso, os veículos que atendem o Samu devem ser substituídos.


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