No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado hoje, 5 de junho, números divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em relação ao consumo desenfreado de plástico ao longo dos últimos dez anos deixam o planeta em estado de alerta. Segundo a entidade, por ano são consumidos entre 500 bilhões e um trilhão de sacolas compostas por esse material. Além disso, um milhão de garrafas plásticas descartáveis são compradas a cada minuto em todo o mundo. Ainda de acordo com o órgão, o descarte incorreto do insumo tem destruído o ecossistema oceânico, uma vez que toneladas desses resíduos acabam no mar.

Para alertar a humanidade sobre o problema, neste ano a Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu o tema “Acabe com a Poluição Plástica” para debater durante evento a ser realizado na Índia – país asiático que sediará as celebrações globais alusivas à data. O objetivo é chamar a atenção de governos, setores privados, comunidades e indivíduos para reduzirem a produção e a utilização excessiva desses materiais orgânicos, que contaminam os oceanos e prejudicam a vida marinha, além de afetar a saúde humana.

Segundo uma pesquisa realizada pela National Oceanic and Atmospheric Administration, o problema mais grave é em relação ao microplástico, que está presente em vários produtos, como calça jeans, pasta de dente, cosméticos, embalagens de remédio, esfoliantes, xampus, sabonetes, desodorantes, entre outros.

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O estudo ainda revela que os plânctons e pequenos crustáceos se alimentam do microplástico, causando a intoxicação dessas espécies. Seguindo a cadeia alimentar, os peixes também se contaminam ao comê-los. Esse processo se repete até chegar na mesa dos seres humanos. “Anualmente, são despejados nos oceanos cerca de dez milhões de toneladas de lixos plásticos. Desse total, só o canudo é responsável por cem mil toneladas. A população deve recusar o uso desse material descartável e trocá-lo pelos biodegradáveis, vidro e aço inoxidável”, destaca a coordenadora do Programa Mata Atlântica e Marinho do Fundo Mundial para a Natureza do Brasil (WWF), Ana Carolina Lobo.

Conforme ela destaca, a cada ano 1 milhão de pássaros marinhos e 100 mil mamíferos e tartarugas marinhas morrem por conta da poluição do plástico. Ana Carolina destaca, ainda, que se nada for feito até o ano de 2050, haverá mais plásticos do que peixe nos mares.

Brasil. Um levantamento realizado pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), em parceria com o Instituto Socioambiental dos Plásticos (Plastivida), revelou que 95% do lixo encontrado nas praias nacionais é composto por plástico. Estima-se que 80% dessa poluição seja de origem terrestre.

Para evitar que esse número continue alto, a superintendente executiva da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), Dalce Ricas, explica que para combater a poluição plástica é preciso maior conscientização por parte de todos. “Campanhas educativas de massa, a respeito desse tema, deveriam ser feitas pelo poder público. As indústrias deveriam ter, no seu escopo de trabalho, essa questão do descarte para se evitar a contaminação dos rios, que por sua vez deságua no mar”, frisa.

Outro ponto que ela destaca é em relação aos supermercados. “Esse setor não tem nenhuma ação proativa nesse assunto. Eles aumentam a quantidade de embalagens descartáveis e não alertam os consumidores”, frisa Dalce.

Preocupação.  A Comissão de Meio Ambiente (CMA) aprovou um Projeto de Lei (PLS 92/2018) que prevê a retirada gradual do plástico em bandejas, pratos, talheres e copos descartáveis. A proposta sugere que, no prazo de 10 anos, o plástico seja substituído por materiais biodegradáveis nos itens destinados a alimentos prontos para consumo.


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