Um crime cruel. Uma dor irreparável e cicatrizes que serão levadas para o resto da vida. A mulher, de 49 anos, vítima de estupro, roubo e agressões a golpes de facão falou com exclusividade à TV Vitoriosa e Portal V9 sobre os momentos de terror que passou nas mãos do estuprador.

Os relatos são de uma dona de casa cuja vida jamais será a mesma. De costas, para não ser identificada, já era possível ver os cortes do facão. São vários por todo o corpo e são incontáveis os pontos que levou para fechar as lesões.

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A vítima ainda tem dificuldades para controlar o choro ao relembrar os terríveis momentos que viveu. Segundo ela, o agressor demonstrava estar descontrolado durante todo o tempo. Na abordagem inicial ele exigiu apenas o celular, que foi prontamente entregue. Mas ele voltou e pediu também a corrente de ouro. A vítima tirou e entregou.

Não satisfeito ele mandou que ela entrasse no mato, atrás de uma moita alta. Lá ordenou que ela tirasse a roupa, dizia que não iria fazer nada com ela, mas segurava um facão em tom de ameaça. Foi consumado o estupro.

Na hora da penetração ele não conseguia e chegou a falar pra mim assim: ‘moça relaxa, relaxa!’ E chegou a passar cuspe. Na maior tranquilidade. Na hora que ele vestiu a roupa ele pegou o facão que estava do lado e falou pra mim: ‘agora eu vou te matar’.”

Abalada depois de ter sido violentada sexualmente veio o desespero de pensar que poderia ser o fim.

“Quando ele veio pra cima de mim eu falei: ‘agora é lutar contra ele’. Eu não imaginava que eu tinha força para lutar contra um homem. Ele tentava enfiar o facão no meu pescoço e ele não entrava. Eu tentei segurar e ele falava assim: você é doida, segurar um facão desse jeito? Você é louca!’ Eu gritava, ele pedia pra eu não gritar e é aí que eu gritava e esperneava. Teve uma certa hora que ele me jogou de bruços e dava várias facãozadas. Dava até choque no meu pescoço o jeito que ele batia.”

Com voz sofrida a mulher conta que em determinado momento ele chegou a levantar a cabeça dela pelos cabelos e tentou passar o facão no pescoço, mas ela protegia com as mãos, o que evitou lesões que poderiam ser fatais. As mãos têm vários cortes. Um dedo por muito pouco não foi decepado.

“Ele bateu, bateu bastante o facão no meu pescoço e falou assim: mas que ‘disgrama’ que essa mulher não morre!”

Já sem forças para lutar e muito ferida, a vítima se fingiu de morta. “Eu tentei segurar a respiração. Só que eu tava muito ofegante, respiração muito alta e não consegui. Então fingi que estava agonizando para a morte. Foi quando ele saiu de cima de mim. Ele ainda lavou o facão do meu lado. Eu fingi de novo o barulho na garganta. Ele ainda falou pra mim: se você levantar daí e vir atrás de mim eu te mato. E eu fiquei quietinha.”

A dona de casa esperou o agressor fugir e saiu em busca de socorro. Ela estava fraca, muito machucada, com sangue jorrando pelo corpo. Ela se desfez de parte da roupa, jogando sobre uma cerca para despistar o agressor e fingir que tinha ido para aquele lado. Estava seminua, fez uma saia com a blusa e foi até a fazenda de amigos pedir socorro. Em alguns momentos achou que não conseguiria chegar ao destino, reuniu forças já sem ver nada adiante, pois o sangue cobria os olhos, mas deu certo.

O casal a levou até a Unidade de Atendimento Integrado (UAI) Morumbi, de onde ela foi transferida para o Hospital de Clínicas da UFU. No dia seguinte foi liberada e voltou para casa.

O principal suspeito foi preso em um posto de combustíveis na BR-452. Ele estava com sangue na roupa, mesmo depois de tê-la lavado no banheiro. E tinha na bagagem uma garrafa térmica vermelha, a mesma descrita pela vítima ao mencionar as características do estuprador. Ele foi reconhecido pela vítima. Mentiu o nome para a Polícia Militar. Na Polícia Civil a identidade verdadeira foi descoberta.

Walisson Rodrigues da Silva  tem passagens por roubos, furtos e danos ao patrimônio em Uberlândia, além de passagem por estupro em Belo Horizonte.

Tudo o que a vítima quer agora é justiça e esquecer o que passou.

O crime

Na quinta-feira, 14/06, a vítima caminhava por uma estrada de terra próximo à fazenda onde mora, na região de Cruz Branca, zona rural de Uberlândia, como fazia todas as manhãs. De repente foi abordada pelo estuprador, que estava em uma bicicleta de cor preta. Ele a arrastou para o mato seco, onde consumou os crimes. Após levar golpes de facão na nuca, rosto, corpo e mãos, ela fingiu estar morta para sobreviver ao ataque.

Ela conseguiu observar detalhes do estuprador. Ele era negro, usava camisa preta e bermuda cinza, estava em uma bicicleta preta e tinha uma garrafa térmica vermelha presa à bagagem que carregava.

Walisson Rodrigues tem uma ficha extensa na polícia com várias passagens por furtos, roubos, danos ao patrimônio e até estupro em Belo Horizonte. Desta vez ele vai responder pelo menos pelos três crimes que praticou contra a vítima aqui em Uberlândia.

“Nosso próximo passo é dar oportunidade pra ela (vítima) formalizar a oitiva e fazer o reconhecimento formal para que este sujeito fique bastante tempo atrás das grades, que é o que a vítima espera. Ela falou pra mim: ‘eu só quero justiça’”, disse a delegada Alessandra Rodrigues da Cunha.

A cada hora, 503 mulheres sofrem algum tipo de agressão física no país.

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