Doze integrantes de uma quadrilha que simulava laudos médicos falsos para entrar com ações de tutela antecipada na Justiça, com o objetivo de conseguir o reembolso da compra de medicamentos que jamais eram adquiridos, foram presos pelo Departamento de Investigação de Fraudes de Belo Horizonte. Entre os presos estão dois médicos cirurgiões plásticos, um deles é Rodrigo Nelson de Moura Guerra, filho de um renomado cirurgião plástico das celebridades mineiras, e cinco advogados, um empresário, dois falsos pacientes e dois aliciadores. Outros cinco envolvidos são procurados, entre eles o homem apontado como o chefe da quadrilha, o advogado Hermann Richard Beinroth Silva.

O grupo, segundo o delegado Rodolpho Machado, aplicava os golpes havia mais de dois anos e as investigações começaram em meados de 2017. Em 17 ações apuradas, o bando deu um prejuízo de R$ 3,5 milhões à empresa de plano de saúde Amil. Outras empresas teriam sido vítimas da quadrilha e as investigações prosseguem.

A policia apreendeu o equivalente a R$ 50 mil, em moeda nacional, dólares e libras, além de sete veículos de luxo, sendo um Audi, um Porsche, Range Rover, Jetta, Volvo, Crysler e uma moto, avaliados em R$ 1,5 milhão. Somente o Porsche custa R$ 500 mil.

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“É uma organização criminosa que fraudava ações judiciais que buscavam tutela antecipada contra a operadora de plano de saúde Amil, com intuito de obter reembolso da importação de um remédio para combate da hepatite C”, disse o delegado Machado, lembrando que o bando usava laudos médicos falsos, apontando que o melhor tratamento seria com esses medicamentos importados. “Faziam a emissão de notas falsas com empresas de fachada e buscava a tutela antecipada nos anos de 2016 e 2017, no estado de São Paulo”, informou o delegado. “Com a tutela deferida, o juiz determinava o depósito judicial e os advogados levantavam o alvará e dividiam os valores entre falsos pacientes, médicos e aliciados.

Segundo o delegado, a organização criminosa conta com quatro estelionatários já experientes no ramo de captação de pessoas. “Buscavam familiares, amigos, moradores do mesmo prédio, que tinham plano de saúde. Eles envolviam as pessoas e faziam promessas de valores que iriam receber. Diziam que era bem simples, bastavam assinar documentos”, conta o delegado.

O papel dos advogados era assinar as ações na Justiça. “Os dois médicos sempre assinavam os laudos falsos”, completa.

As investigações começaram no primeiro semestre do ano passado, quando a Amil começou a perceber o aumento de ações semelhantes, envolvendo os mesmos medicamentos para tratamento de hepatite C, um deles o Epclusa. “Numa investigação da própria empresa ela entendeu que as ações eram falsas e fez representação na polícia”, disse o delegado. O fato de médicos cirurgiões plásticos já bem sucedidos, um deles com histórico familiar, filho e irmão de médicos, que atendem celebridades, mas que estavam assinando laudos de hepatite, também chamou a atenção”, conta o delegado.

Os presos tiveram a prisão temporária de cinco dias expedida pela Justiça e o Ministério Público já deu parecer favorável à prorrogação da prisão. Eles vão responder pelos crimes de estelionato, organização criminosa, fraude processual e lavagem de dinheiro.


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